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Luiz Carlos Merten

15 Junho 2008 | 12h22

Su me pergunta se vi o filme de Jaime Rosales ‘La Soledad’, que ganhou três Goyas, o Oscar do cinema espanhol, relativo ao ano passado, incluindo o de melhor filme, derrotando o favorito ‘El Orfanato’. Não vi, embora estivesse na Espanha em janeiro, ou começo de fevereiro. Até tentei assistir ao filme, mas ele já estava num cinema de periferia, coisa distante uma hora do centro de Barcelona e para ir e voltar de táxi eu ia gastar uma fortuna. Desisti. Sorry. Mas quero falar de Jamelão, o grande puxador da Mangueira. Se alguém podia cantar com propriedade ‘Eu Sou o Samba’ era o Jamelão, que fez alguns filmes, aparecendo, por exemplo, em ‘A Lira de Delírio’, de Walter Lima Júnior, do qual eu aprendi a gostar recentemente. Que filme bonito, e que atriz visceral, a Anecy Rocha. Acho que poderia inverter sem prejuízo da apreciação crítica – Que filme visceral e que atriz bonita! Mas eu me lembro de um filme em que o Jamelão canta Lupicínio Rodrigues, ‘Remorso’. Ah, os versos do Lupi “Ela disse-me assim/Tenha pena de mim/Vai embora…” Será que foi o ‘Depois Eu Conto’, do Watson Macedo? Jamelão faz parte do meu som imaginário e, embora não tenha nada a ver, quero aproveitar que estou falando de música (e cinema), para voltar a ‘2 Filhos de Francisco’. Nossa! Fiquei surpreso com o ódio de vocês, alguns pelo menos, pelo filme do Breno Silveira com Zezé di Camargo e Luciano. Ave Maria! Embora eu viva dizendo que a fruição do filme, como de qualquer obra de arte, seja uma coisa individual, isso não significa que não existam critérios de avaliação artística. Não é pura e simplesmente uma questão de opinião, que cada um tem a sua. Estou disposto a polemizar, indo ao inferno, se necessário, para dizer que ‘Francisco’ é muito bom, e já vou anunciando – para desespero de alguns – que o Breno me cativou de novo com ‘Era Uma Vez’, seu novo filme. Aguardem a matéria no ‘Caderno 2′. Só quero contar uma história. Meu editor, na época, Evaldo Mocarzel, vivia brigando comigo, me acusando de servir à indústria cultural, ajudando a vender os discos de Zezé e Luciano. Isso foi antes de ver o filme, claro, mas o Evaldo, no auge da provocação, foi à minha festa de 60 anos, com direito a show intimista da Lua, filha de minha amiga Leila Reis – ela canta à beça – e a bateria de escola de samba, com cabrocha e tudo. Foi num desses lugares de balada, acho que no Itaim, muito legal. Evaldo levou um CD de Zezé e Luciano. “Toma essa m…’, deve ter dito algo assim. Uma das faixas era a óbvia, ‘É o Amor!’ Pedi ao DJ que parasse tudo e colocasse a faixa. Foi a apoteose da minha festa. Nunca vi tanta gente – amigos, colegas jornalistas, críticos de música, de literatura, de visuais, de cinema – cantaram junto. Mesmo quem começou de farra, para entrar no clima, terminou cantando – porque sabia ou aprendeu a letra na hora. É, minha gente, é o amor, vencendo o preconceito.