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Cultura » É no Bourbon!

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Luiz Carlos Merten

11 Março 2008 | 14h13

Calma, Malasartes. Antes que eu te induza ao erro, deixe-me consertar a má informação que dei no post de ontem sobre Jane Birkin. Ela se apresenta hoje no Bourbon Street, com ingresso mais caro. Na sexta, faz show com ingresso mais acessível no Sesc Pinheiros. (Aliás, o que andam os preços dos shows – R$ 900 para ver e ouvir Bob Dylan; R$ 1 mil e poucos (R$ 900 é o mais barato) para o Morricone. Esta gente está louca?) Não sei se ‘Boxes’ vai estrear no Brasil. A Simone, do CineSesc, ao fazer a apresentação da Jane, disse que a parceria com o Consulado da França foi decidida na última semana e que, apesar das tentativas, não foi possível conseguir uma cópia em 35 mm do filme. Ele passou ontem em DVD. Havia pouca gente na sala (menos da metade). Jane apresentou seu trabalho e prometeu conversar com o público – com quem resistisse, ela brincou – no final. Mas, no final, ela tinha ido ao hotel e asinda não havia regressado. Mais da metade (do que já era metade, ou menos) evaporou-se durante a espera. Quando ela chegou, éramos um grupo de gatos pingados. Acho o filme bem autoral, mas ele tem um tipo de ‘gentilesse’ desconcertante. Jane faz esta mulher que tem três filhas, três maridos e que perdeu o pai (como ela), mas, como explicou, ‘Boxes’ não é uma obra de auto-ajuda nem uma terapia filmada que ela se impôs. Fiquei muito tocado com a participação de Annie Girardot, devastada fisicamente – já contei aqui que ela sofre de Alzheimer. Jane contou da alegria de Annie de estar num set, mas também da sua dificuldade. Como ela não decora mais textos, havia um ponto que lhe repassava as frases, num fone de ouvido. Às vezes, ela perguntava ‘Quoi? (O quê?)’ e a tomada ficava arruinada. Era preciso recomeçar. Annie Girardot! A Nadia de Visconti, tão genial, como a revi no sábado, ao assistir a partes de ‘Rocco e Seus Irmãos’, depois de ‘O Ferroviário’, do Germi. Duvido que quem tenha ido ontem ao CineSesc tenha se decepcionado. O filme pode não ser bom-bom, mas é interessante e Jane é ótima. Embora possa ser considerada um ícone ou uma referência dos anos 60, é simples, humana, sem frescura. Ela fez sua autocrítica. Embora convidada, Jane não pôde vir à Mostra de São Paulo apresentar ‘Boxes’ no ano passado. Mas ela esteve no Rio. Foi, como disse, ingenuamente, interessada em fazer política – criticando a ditadura de Mianma, ex-Birmânia. O ‘ingenuamente’ revela seu desencanto pessoal com a política. O papo foi legal, mas durou pouco. Por volta da meia-noite, Jane levantou-se, disse que tinha de poupar a voz porque canta hoje e deu o encontro por encerrado. Com quantos anos ela está? Fiquei com preguiça de pesquisar na internet. ‘Blow-Up’ (Depois Daquele Beijo), do Antonioni, é de 1967 – 41 anos. Digamos que ela tivesse uns 18, naquela provocativa cena de brincadeira sexual. Jane deve estar com uns 60? Está ótima. E eu vou hoje ao Bourbon, pautado pelo jornal, para vê-la cantar. ‘Leãozinho’? Espero…