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E não é que ele foi muito bacana?

Luiz Carlos Merten

03 Outubro 2012 | 19h08

RIO – Estou aproveitando alguns minutos antes da sessão de ‘Pietà’, de Kim Ki-duk, para postar. Estou louco para ver o vencedor do Leão de Ouro, menos pela premiação em Veneza do que pelo fato de ser do autor coreano a quem devo tantas emoções. Sorry, mas entre filmes, entrevistas, debates e a cobertursa diária no ‘Caderno 2’, incluindo os filmes na TV, não tenho tido tempo para postar. Não tenho tido tempo para ver os filmes que quero – o novo Ferzan Ozpetek, por exemplo. Já perdi duas ou três sessões. Espero ter tempo de ainda recuperar. Algumas entrevistas têm sido desovadas no ‘Caderno 2’, e amanhã sai minha capa com Léos Carax e Kylie Minogue, a popstar australiana que atua (e canta) em ‘Holy Motors’. Carax foi uma surpresa. O cara com fama de irascível, bizarro – difícil sob múltiplos aspectos -, se revelou gentil. Repassamos sua carreira e o filme da ‘limo’ (‘Holy Motors’), conversabndo também sobre o David Cronenberg, ‘Cosmópolis’ , que, com outra limo, também estava em Cannes, em maio. ‘Ouso’ dizer que Carax gostou de mim, porque quando fui falar com Kylie ela me disse que ‘Léos’ já a havia alertado que seria um papo bacana, e foi (pelo menos para mim). Falamos sobre Baz Luhrmann – ela faz um pequeno papel em ‘Moulin Rouge’. Kylie é mignon, bonita. Não pesquisei, mas deve estar beirando os 50 – se já não tem -, pois sua carreira vem dos anos 1980. Também gostei muito de falar (hoje) com Julian Temple e com Behn Zeitlin, o diretor de ‘Beasts of the Southern Wild’, que ganhou a Caméra d’Or e o prêmio do júri no Festival de Cannes, em maio. Havia gostado do filme – sobre a relação entre uma garota e seu pai num meio decadente, no qual irrompem seres fantásticos, saídos da imaginação dela. Gostei mais ainda do jovem autor, me narrando como foi importante se impregnar da paisagem na Louisiana para conseguir fazer o filme. Não sei se já registrei, mas gostei muito de ‘O Primeiro Dia de Um Ano Qualquer’, o novo filme de Domingos Oliveira – ‘novo’, assim, entre aspas, porque ele já tem pronto outro filme, que fez depois – e amei o documentário de Camilo Tavares ‘O Dia Que Durou 21 Anos’, sobre a participação norte-americana no golpe militar. Mesmo com o risco de levar algumas patadas, acho que é o melhor filme (documentário ou não) nesta vertente que retraça a história dos anos de chumbo no Brasil. Amei também o documentário ‘Loucura e Método’, talvez seja o inverso, sobre Jerry Lewis, e sou capaz de me ajoelhar para Marcos Bernstein, por seu maravilhoso ‘Meu Pé de Laranja Lima’. Espero nunca perder a minha capacidade de me maravilhar com filmes (e o cinema). Se há coisa que não sou, não consigo ser, é blasé,. Lá vou eu para o Kim Ki-duk.