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E, na estrada, o arco-íris duplo!

Luiz Carlos Merten

16 Abril 2017 | 13h56

OURO PRETO – Fomos ontem a Inhotim. Gabriel Villela, Cláudio Fontana, Dib e eu. A natureza, no parque, está mais exuberante ainda. Fiquei pasmo com o funcionamento de Inhotim como parque temático. Todos aqueles funcionários e serviços! Todos aqueles turistas! Já a arte, propriamente dita… Revi, sem nenhum entusiasmo, a Galeria Doris Salcedo, o som da terra e a instalação de Matthew Barney representando o embate dos orixás do ferro e da natureza. Quando se vê pela primeira vez impressiona, mas depois… Talvez seja o problema de uma certa arte moderna, muito conceitual. Tem ali mil explicações – conceituações – para suprir a carência emocional que tudo aquilo provoca, ou provoca em mim. Claro, não é a Capela Sistina, nem a Mona Lisa nem os girassóis de Van Gogh nem a Guernica de Pablo Picasso, que você vê, revê, pentavê e tem sempre – eu tenho! – o impacto renovado da experiência original. Deus me livre, mas tem ali uma picaretagem – nas obras de arte ou na curadoria, não sei bem, mas foi o que me pareceu. Na volta, vivi a experiência que gostaria de ter tido em Inhotim. Um arco-íris duplo. E persistente. Coisa mais linda. Os carros paravam na estrada – essas estradas cheias de curvas de Minas -, desafiando o perigo, para ver o belo. A natureza sem conceituação. Nesse mundo sem noção também estarei perdendo a minha? Chegamos em Ouro Preto, redigi os textos sobre Joaquim que estarão no Caderno 2 de amanhã – entrevistei daqui o Kevin Macdonald para a matéria deste domingo, sobre as oficinas de ficção e documentário que ele vai ministrar em São Paulo -, e depois do jantar foi aquele deslumbramento. A cidade toda participa da criação dos tapetes que cobrem as ruas, para a procissão do domingo de manhã. Dib deve ter tirado um milhão de fotos que colocou no Face dele. Eu só posso dizer que venham ver com os próprios olhos, sentir com os próprios corações, racionalizar com as próprias mentes. Amo as Gerais. E o Gabriel, mineiro de Carmo do Rio Claro, é aquele inesgotável contador de ‘causos’. Os shows de Milton Nascimento, Bethânia e Ivete (Sangallo) que ele dirigiu. A Rua da Amargura! Gigantes da Montanha, a versão anterior. O bom é que já está indo para a gráfica do Sesc o livro sobre a carreira gloriosa do Gabriel. Fotos – de tudo. Textos – de tudo. E todo mundo vai poder compartilhar a experiência.