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Luiz Carlos Merten

03 Junho 2011 | 12h05

RIO – Cá estou desde ontem. Cheguei e vim para a sucursal do ‘Estado’, onde fiquei quase todo o dia, ’pedalando’ no meu terminal emprestado. Tinha matéria na capa do ‘Caderno 2’ – e por isso estou aqui, para a estreia, hoje, da peça que meu amigo Dib Carneiro adaptou de ‘Crônica da Casa Assassinada’, de Lúcio Cardoso –, mais o ‘X-Men – Primeira Classe’, que amei, e o filme do Toni Venturi, o documentário da maconha, mais os filmes na TV. Foi tudo muito animado para fazer correndo, ainda mais que sofri uma interrupção de mais de uma hora aqui na redação, durante a qual parou tudo. À tarde, após o almoço, tinha os filmes na TV de domingo, DVD, também para o Telejornal, e uma página inteirinha do ‘Caderno 2’ sobre… um grande evento em Paris, ‘aquele’, a que tive o privilégio de assistir. Aguardem o domingo. Estou só dando um olá, mas tenho umas série de assuntos engatilhados, de que quero tratar. Não contei para vocês, mas no voo de volta, Cannes/Paris, Jane Fonda estava a bordo. Não havia condições de falar com ela, mas pelo menos senti seu perfume quando passei, quase roçando. Jane Fonda! Ou na verdade Barbarella! Bree Daniels! Só o perfume de Jane já merece um post, que pretendo fazer. Em Paris, voltando para o Brasil, comprei, entre outros livros, um cuja leitura está me dando enorme prazer. ‘J’Arrête le Cinéma’ é um livro de entrevistas com Patrice Leconte, que começa justamente como justificativa para o título. Patrice está querendo parar com o cinema. Seu novo filme estreou em Paris, alguma coisa de ‘Mer’ (Mar), sobre dois amigos numa praia, às voltas com uma mulher um pouco mais velha. Um bom material para o diretor de ‘M. Hire’, ‘O Marido da Cabeleireira’ e tantos outros filmes de que gosto. Leconte anda desgostoso com o cinema. Cineasta de grandes sucessos, que consegue equilibrar a exigência da bilheteria com obras de um caráter mais autoral, pessoal, ele enfileirou alguns fracassos e assumiu compromissos, fazendo filmes para se manter à tona. O pior, como ele diz, é que não consegue parar de se envolver. Se pelo menos fosse Julien Duvivier, da velha escolas, que um dia desistiu e seguiu fazendo não importa o quê… Mas ele não consegue. Mesmo numa obra de ‘encomenda’, quer participar da montagem, do lançamento. E se a crítica e o público não correspondem, ele sofre como nos seus filmes ‘artísticos’. Leconte condiciona sua decisão à receptividade do novo filme, que não vi e agora me arrependo. Espero que ele reconsidere, que não pare com o cinema. O livro oferece uma leitura saborosa, estou adorando. Leconte fala com toda honestidade sobre suas expectativas, suas descobertas, seus desapontamentos. Entrevistei-o várias vezes, quase sempre por telefone, e é alguém a quem estimo (e por quem torço, confesso). De volta a uma informação do começo do post – estreia hoje ‘X-Men 4’. Eu realmente gostei do filme de Matthew Vaughn. O retorno às origens, o começo da história do Professor X e de Magneto, dá à saga dos  super-heróis uma complexidade que faz do filme um blockbuster para adultos. Há dias estou tentando me lembrar de uma citação exata de Thierry Frémaux. De alguma forma ele estava respondendo às críticas que volta e meia recebe pelas escolhas de suas seleções. Ele se justifica dizendo que é possível gostar de Jean-Luc Godard e Georges Lautner, por que não? Tenho certeza de que ele cita Lautner. Não estou tão seguro de que seja Godard (*ou qualquer outro ‘autor’). Embora não seja o melhor exemplo – conheço pouco o cinema de Georges Lautner, seus filmes com Mireille Darc e olhe lá –, acredito na afirmação. Pode ser tema para outro post, mas sinto que eu também estou me justificando, como se fosse preciso para vocês, por amar ‘X-Men – Primeira Classe’.