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E eu viajei na emoção de João, o Maestro

Luiz Carlos Merten

11 Agosto 2017 | 09h25

Havia perdido a junket de João, o Maestro. Recuperei ontem o filme de Mauro Lima. A produção fez a gentileza de promover uma cabine exclusiva, só para mim. Ainda bem – teria pagado omaior mico, chorando na cara de todo o mundo. Primeiro de emoção, depois, no fim, de raiva. Aquele final institucional, pró-Fiesp, pqp. OK, a instituição patrocina a orquestra do maestro, que é um modelo de inclusão, mas o filme, muito lateralmente, é sobre isso. Não é um filme ONG como aquele, com todo respeito, do Sérgio Machado Com Lázaro Ramos, Tudo o Que Aprendemos Juntos. É sobre outra coisa, e por isso gostei. Um filme sobre dor, desespero, sofrimento – e superação. Quando li a entrevista de João Carlos Martins na Playboy, estava na cadeira do barbeiro e pensando. Puta filme. A famosa vida que daria um romance, um filme. O garoto que realiza o sonho do pai de ser um grande artista. A vida que vem, e cobra. Os problemas com as mãos. A impossibilidade de tocar, a deformidade física. O que será de nozes? Conversei com o maestro sobre isso, e duvido que ele tenha tido aquela conversa com algum outro jornalista. Afinal, de deformidade de mãos eu entendo, mais que ninguém. Há um olhar de estranhamento, uma pausa, que, acreditem, constrange, senão humilha, te coloca no lugar do outro, do diferente. Já que entrei nessa de confissões – naquele documentário sobre atletas paralímpicos, tem o nadador sem os braços. E ele conta – a mãe lhe narrava, quando criança, histórias de príncipes, princesa, magos. E ele perguntava, inocente, se um dia ia mudar, e quando. A mãe dizia que não. Quem o vê, atleta multipremiado… O que deve ter sido doloroso cair a ficha, e aceitar. Fomos solidários, o maestro e eu. Três quartos, noventa por cento do filme são ótimos. Mauro Lima sabe contar histórias, sabe fazer biografias. Devia ter brigado, talvez – mais! -, pela autonomia de seu filme, desvinculando-o da vida do biografado para ser o que é – uma bela e emocionante ficção. Confesso que não tenho memória de Rodrigo Pandolfo no palco. Para mim, é o viadinho filho da Dona Hermínia. Puta ator, o Rodrigo. E o Caco Ciocler, bopm como não o via há tempos. E o garoto que faz o maestro menino, que aprendeu a toar e hoje é um virtuose. E as mulheres. Num filme de época – todas lindamente penteadas, maquiadas, vestidas. A mãe, a professora de piano, a primeira mulher. E Carmen. Alinne Morais, a mulher do diretor. Deslumbrante. João, o Maestro inaugura na sexta que vem o Festival de Gramado. Espero lá estar para aplaudir.