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Cultura » E, como Frank Sinatra, apresentando…

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Luiz Carlos Merten

18 Agosto 2010 | 15h18

Quando a entrevistei há dois meses, em Cancún, Angelina Jolie me disse que sua prioridade, como próximo projeto, era ‘Cleópatra’, mas se você entrar agora no portal do ‘Estado’, vai encontrar a informação de que ela, e não Scarlet Johannsen, será Marilyn Monroe no badalado filme que vai contar a história da mítica estrela pelo ângulo de seu cachorro. Pode até ser que o filme saia, e seja bom, mas me parece esquisito – não pelo ângulo do cachorro. Acho que é uma coisa que pode ser muito cinematográfica – e que remonta a ‘Au Hazard Balthazar’, de Robert Bresson, A Grande Testemunha no Brasil, que vê o mundo pelos olhos do asno (e transforma sua via crúcis numa representação simbólica da Paixão de Cristo, com direito a assunção, pela via da graça, o mais bressoniano dos temas). Estou elocubrando aqui sobre ‘Balthazar’, mas acho que, no caso de Marilyn Monroe, o risco é a coisa toda virar uma farsa, a exemplo de ‘Um Vagabundo na Alta Roda’, de Paul Mazursky, em que Bette Midler vai para a cama com Nick Nolte, tem o orgasmo mais ruidoso da história das produções A de Hollywood e termina por envergonhar seu cãozinho, que tapa os olhos com as patas para não ver tanta ‘obscenidade’. Como disse, pode até ser que a cinebiografia de Marilyn Monroe vire um bom filme, mas George Cloo0ney, no papel de Frank Sinatra, não dá, né? Tudo bem que Clooney formou o equivalente do bando de amigos de Sinatra, mas daí a ser o próprio… Eu, hein?