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Cultura » E apresentando… Travolta, como Divine

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Luiz Carlos Merten

10 Setembro 2007 | 10h46

John Travolta teve mais ressurreições do que qualquer outro astro da história do cinema – mais até, talvez, do que merecia, embora eu goste de alguns filmes por ele estrelados. Mas, confesso, e nem sei explicar direito por que, que tenho certa antipatia por ele. Sua última declaração polêmica, quando Travolta disse que era uma ‘whore’ (p…), me pareceu não apenas desnecessária (a gente já sabia…), como um repeteco do Sam Peckinpah, que disse a mesma coisa por volta de 1970, quando esse tipo de confissão ainda significava alguma coisa – e Peckinpah pôde acrescentar que era uma p… bem treinada, que fazia seu serviço melhor do que os outros diretores de Hollywood. Isto posto, não estava nem um pouco entusiasmado com a perspectiva de ver o travesti de Travolta em Hairspray, no papel da gordona mãe da adolescente gordinha do musical adaptado do filme famoso de John Waters, de 1988. Nunca falamos aqui do John Waters – a menos que eu tenha feito alguma referência ao documentário The Fillfthiest Thing, sobre ele, que passou no Festival de Berlim, em fevereiro –, mas acho que JW foi (e ainda é) um caso muito interessante. Como o outsider cooptado por Hollywood, seus filmes, de X-rated finalmente chegaram a PG (parental guidance), perdendo em escatologia – JW não teria mais uma Divine para comer cocô de cachorro, de qualquer maneira –, mas de alguma forma aprimorando a irreverência (que ficou mais sutil). Não creio que Hairspray seja um grande John Waters, mas é divertido. E eu admito que agora fiquei louco para ver o filme. Assisti ao trailer, que é muito bom. Trailers enganam (eu sei), mas lá vou eu conferir o Travolta. Gordo daquele jeito, ele é a nova Divine de JW, na fase mais bem comportada. E vocês – já viram?