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…E a ‘Garota’?

Luiz Carlos Merten

15 Abril 2008 | 08h24

Encerrei a noite ontem, em casa, escrevendo meu post sobre os 70 anos de Claudia Cardinale e inicio o dia, hoje, na Redação do ‘Estado’, voltando a ela. Um post longo (o de ontem), um breve (hoje). Só para dizer que citei ‘trocentos’ filmes da CC e esqueci um de meus favoritos. Não me lembrei de ‘A Garota de Bube’, de Luigi Comencini, no qual ela contracena com George Chakhiris. O filme é do começo dos anos 60, acho que de 63, e o Chakhiris, ator norte-americano de ascendência grega, havia recebido dois anos antes o Oscar de coadjuvante por seu papel como Bernardo no musical ‘Amor, Sublime Amor’ (West Side Story), de Robert Wise e Jerome Robbins. ‘A Garota de Bube’ baseia-se no romance de Carlo Cassola (é isso, não?), que havia recebido o prêmio Strega, em 1960. Trata da juventude italiana no pós-guerra. Lembro-me que algum dioa, em algum lugar, alguém tascou a definição o filme seria, ou é, mais zurliniano do que o próprio ‘A Garota com a Valise’ (outra garota…), que o grande Valerio fez também com CC. Para fechar o post, dois ou três momentos da atriz, numa carreira tão rica – a sonora gargalhada na cena do jantar em que o príncipe Salinas abre seus salões para a burguesia emergente, em ‘O Leopardo’, de Visconti; a expressão – de surpresa, medo ou o quê – na cena do jardim em ‘Vagas Estrelas da Ursa’, de novo Visconti, quando o vento arranca o tecido que cobre a estátua e Sandra (a personagem) se vê diante da imagem do pai, que quer vingar; e ainda mais um Visconti, o de ‘Violência e Paixão’. O Professor (Burt Lancaster) lembra-se da mulher. Entra o flash-back, Claudia tira o véu do rosto e fala o que não ouvimos. Sua voz ressoa na consciência do agora velho e solitário Professor. Ele abre os braços num gesto de desalento. É um dos momentos maiores da arte de Visconti. A cena não é nada, do ponto de vista narrativo. Diz tudo sobre o personagem. Maravilhoso!

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