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Cultura » Dúvida sobre ‘Dúvida’

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Luiz Carlos Merten

25 Fevereiro 2009 | 13h27

Fui rever ontem ‘Dúvida’. Ao chegar no Espaço Unibanco, encontrei a Augusta conflagrada. Havia gente pelo ladrão, filas em ambos os lados da rua, uma doideira. Sucesso do cinema no carnaval… Meio faísca atrasada, não me preocupei em checar e entrei na fila (enorme) no conjunto principal. Só ao chegar na bilheteria, meia-hora depois, descobri que o filme estava no anexo. Peguei lugar, mas terminei sentando na primeira fila e, para complicar, ao lado de duas senhoras que não paravam de matraquear. É impressionante como existe gente mal-educada que age no cinema como se estivesse na sala de casa, vendo filme na TV ou em DVD. Conversam, comem, bebem – e vocês sabem como é irritante o barulho de catar pipoca no saco -, isso quando não estão falando no celular, porque muita gente tem cara de pau mesmo. As duas não comiam nem falavam no telefone, mas falavam entre si sem a menor cerimônia. Não queria armar barraco, mas tive de mandar que calassem a boca. Conto tudo isso, mas não creio que tenha influenciado minha avaliação. Acho o texto de John Patrick Shanley forte, o elenco excepcional – mas achei exageradas as indicações de Amy Adams e Viola Davis na categoria de coadjuvantes. Ficaria só com uma e seria a Viola, que a rigor tem apenas uma cena, mas é do balacobaco -, só que, apesar de tudo isso, ‘Dúvida’, o filme, não me convence muito. Gostei de ter revisto, não foi perda de tempo, mas a montagem teatral, dirigida por Bruno Barreto, era melhor, e não porque Bruno tenha feito um trabalho excepcional. Ele foi até discreto, minimalista, como contam que foi o Roman Polanski, que dirigiu a montagem francesa. Mas acho que o texto, a concepção é que talvez sejam para teatro mesmo. Não gosto daqueles planos fora de esquadro nem do final, aquela dúvida tardia da diretora da escola. Até poderia ser aquilo, mas não daquele jeito, depois da reação de Meryl Streep no momento em que o padre Flynn, Philip Seymour Hoffman, a confronta com a própria fraqueza e ela reage com aquela veemência, ‘Não somos iguais!’ Saí do cinema pensando – o que Bruno Barreto e Regina Braga e Dan Stulbach, que faziam os papéis principais na montagem brasileira, pensaram do filme? Vou tentar descobrir…