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Luiz Carlos Merten

26 Outubro 2007 | 15h53

Tenho seguido mais pelos títulos do que propriamente pelas matérias, que não li, a polêmica sobre ‘Duas Caras’, a nova (velha) novela das 8. Tenho ouvido que Aguinaldo Silva já aventou mil e uma possibilidades para a baixa audiência, inclusive afirmando que os televisores andam desligados na casa da maioria das pessoas. Marcos Paulo, diretor de núcleo da Globo, tem outra interpretação e diz que o problema é que o público não é mais fiel. Ou seja, a novela das 8 não prende mais a audiência. Antes o público via, nem que fosse na inércia. Hoje tem a novela da Record e sei lá mais o quê. Pois bem, acho que Aguinaldo Silva, a quem admiro desde ‘República dos Assassinos’ e, depois, pelo bom trabalho em novelas como ‘Tieta’, deveria começar a trabalhar com a possibilidade de que a novela é que seja ruim. Vi ontem 20 minutos de ‘Duas Caras’ e não acreditei no que estava assistindo. Uma cena numa gafieira ou roda-de-samba, com Eri Johnson, território que o Aguinaldo me desculpe, mas é da Glória Perez. Me pareceu alguma sobra, sei lá, de ‘O Clone’. Corte para o jantar na casa dos milionários, em que Lázaro Ramos é agredido verbalmente por Stênio Garcia. A intenção era boa – e Marília Pêra corrigindo o marido e dizendo que não se chama negro de ‘crioulo’ porque é incorreto; tem de ser afro-descendente – foi de um cinismo exemplar. Aliás, nem cinismo – patetismo, graças à cara que a atriz fez. Gente, nem todo o imenso talento do Lázaro, e põe imenso nisso, resiste àquele texto.