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Luiz Carlos Merten

04 Abril 2009 | 13h37

Xokito informa, comentando o post ‘E o Hugh Jackman?’, que o astro parece nu em ‘Wolwerine’, a versão que vazou esta semana na rede. Xokito diz que isso pode tornar o filme atraente para gays e mulheres (carentes?). Bem, se o negócio é ver pirulito o caminho mais rápido é do teatro da FAAP, onde Marcelo Farias, na cara dura (a cara…), mostra o dele na versão teatral de ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’. Queria ver a peça com o João Miguel, no teatro do Sesc, mas ficou para domingo. Fomos, um amigo eu, ver ‘Dona Flor’. Encontrei Mila Moreira e Maria Adelaide Amaral – pode ser mera coincidência, acho que não, mas tenho encontrado Maria Adelaide em todas as peças que vejo naquele teatro. Respeito muito o trabalho dela, na TV e no teatro, e a própria Maria Adelaide é um encanto, sempre gentil, atenciosa. Adoro. Não botava muita fé na adaptação, mas confesso que tive uma bela noite. A versão musical expande-se do palco para a plateia – havia colocado acento, mas tirei; não tem mais, como estreia – e a montagem é minimalista, com poucos objetos em cena, dos quais o mais importante é, sem dúvida, a cama. A peça segue muito a estrutura do filme de Bruno Barreto, até hoje recordista de público na história do cinema brasileiro. (Lembrei-me agora de que Glauber Rocha diz que ‘Dona Flor’ é uma m…, numa carta trocada com o pai de André Ristum, no curta do diretor sobre a correspondência entre os dois. Eu gosto ou, pelo menos, ‘Dona Flor’, o filme, já está tão encravado no meu imaginário que virou acima do bem e do mal.) Até o desfecho é o mesmo. Vadinho, Marcelo Farias nu, bulinando Flor e do outro lado, também de braço, o segundo marido, Teodoro. Dei-me conta de que acho a história de Jorge Amado linda e até emocionante. Gostei demais da trilha com´canções de Caymmi e aquele ator que tem o vozeirão do compositor baiano – mas confesso que, no fim, pelo menos, esperava ouvir ‘O Que Será?’, de Chico, para sempre indissociável do filme. Achei bem legal a proposta musical de ‘Dona Flor’, o entusiasmo do elenco. Marcelo Farias foi indicado para o Shell de melhor ator. Eu estava na ponta da fileira e ele ficou bem do meu lado, no centro do corredor, quando Vadinho declara seu amor. Sua sinceridade me tocou e ele tem um despudor muito grande, tirando a roupa na maior alegria. (Pensei com meus botões o que Pedro Cardoso acharia daquilo…) E ela, Flor, é maravilhosa. Carol Castro, numa cena de cama, não fica nua, mas mostra o suficiente para que a gente veja o corpão que tem. De rosto, é uma mistura de Cléo Pires com Juliana Paes, mas o que me cativou foi a entrega dela. Mignon como Sônia Braga, Carol cresce naquele palco. É uma linda história hetero. Achei um programa mais saboroso do que qualquer desses musicais clonados da Broadway.