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Luiz Carlos Merten

02 Dezembro 2006 | 18h30

Estou indo agora ao Centro Cultural São Paulo para ver, no evento Veneza Cinema Italiano 2, Il Feroce Saladino, que o Zanin (meu colega Luiz Zanin Oricchio), que fez a cobertura do Festival de Veneza para o Estado, diz que é muito divertido. Vou, mas me sentindo culpado. Até agora não falei nada do festival do Amir Labaki, que está ocorrendo no CineSesc, sobre cinema e direitos humanos. Amir faz o Festival Internacional de Documentários, cuja importância é reconhecida no País e fora. É politizado e exigente. Imagino que não esteja ligando seu nome a nenhuma aventura inconseqüente. Não vivemos mais numa ditadura e só quem atravessou os duros anos de chumbo sabe o quanto falar e respeitar os direitos humanos é fundamental. Só que a gente associa sempre direitos humanos a repressão política e o conceito é muito mais abrangente. A violência doméstica, o desrespeito aos homossexuais, as crianças no semáforo da esquina, o sem-teto ali debaixo da marquise, a falta de escola, de emprego, a dificuldade no atendimento hospitalar, tudo isso (e muito mais) se abriga sob este guarda-chuva amplo que é a defesa dos direitos humanos básicos. Ainda não tive tempo de ir ao CineSesc, mas vou. Não vou nem escolher o filme, fazendo como os devotos da Mostra, que passam um cheque em branco a Leon Cakoff e assistem a não importa o quê, convencidos de que vão ver um bom filme. Só quero acrescentar, ainda no quesito direitos humanos, que ontem me senti num filme do Evaldo Mocarzel, meu ex-editor no Estado. Evaldo fez À Margem do Concreto, sobre ocupações urbanas por integrantes do movimento dos sem-teto. Fui ao centro da cidade, no final da tarde de ontem, e encontrei um clima de filme de guerra. Policais de escudo, bombas. Houve uma tentativa de ocupação do prédio que era (acho) da Polícia Federal, na esquina da Rio Branco com o Largo do Arouche. O que eu vi ali, naqueles minutos, se tivesse sido filmado, poderia ir diretamente para a tela do festival do Amir.