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Director’s Award

Luiz Carlos Merten

29 Abril 2010 | 10h08

RECIFE – Estou hoje aqui no Cine PE e vai ser um dia importante, com a exibição, à noite, de ‘As Melhores Coisas do Mundo’, o longa de Lais Bodanzky e Luiz Bolognesi. Vocês sabem que gosto muito do filme e, exagerado como sou, quero dizer que,  se o júri fizer a coisa certa – e a menos que Jorge Durán apresente alguma coisa muito especial amanhã à noite -, já tenho meus favoritos para melhor ator e atriz coadjuvantes, Denise Fraga e Gustavo Machado, mais o roteiro, o de Bolognesi (minha melhor atriz, por enquanto, é Paloma Duarte, por ‘Léo e Bia’, de Oswaldo Montenegro, sim, o cantor e compositor. Lembrei-me de Paloma nos tempos de ‘Maria Eduarda, ame-a ou deixe-a’, naquela novela do Manoel Carlos, que eu sei que muitos de vocês amam, mas é o ó, ele, o autor. Paloma, além de bonita, é carismática, e Paulo Thiago já me havia mostrado isso em seu ‘Vestido Vermelho’).  Mas, enfim, o espírito do post é que hoje estou aqui, e começando a gostar da brincadeira, mas, nesta quinta-feira, especificamente, gostaria de estar em São Francisco, onde Walter Salles será homenageado pelo San Francisco Film Festival, recebendo o Director’s Award, atribuído a um cineasta pelo conjunto da obra.  Só para vocês avaliarem a importância do prêmio, no passado ele já foi conferido a Akira Kurosawa, Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e Gus Van Sant. Antes da premiação, Walter Salles vai participar, no palco, de uma conversa com o mexicano Alejandro González-iñárritu, que, só para lembrar, estará de volta a Cannes, em maio, com ‘Biutiful’. Imagino que será bacana e, amanhã, Walter Salles dará uma Master Class. Lembro-me de outro encontro que ele teve, com Wim Wenders, no Festival de Tessalônica, ambos falando de cinema de estrada. Salles, que começou ‘wendersiano’, tratava Wim como mestre e o outro retribuía, revelando um conhecimento profundo de filmes como ‘Terra Estrangeira’ e ‘Central do Brasil’. Tudo isso é muito legal, e promete, mas adoraria ver as cenas que Salles vai apresentar de seu documentário sobre Jack Kerouac e o livro mítico ‘On the Road’, que Eduardo ‘Peninha’ Bueno traduziu como ‘Pé na Estrada’, no Brasil. Embora Salles ainda seja muito novo para receber essas homenagens – deveria filmar mais, isso sim -, acho que merece. E ele, como o irmão, João Moreira Salles, é encantatório quando fala sobre cinema, compartilhando suas preferências com a gente. Para acompanhar a recente capa do ‘Caderno 2’ sobre o centenário de Kurosawa, pedi-lhe um texto e ele mandou uma pequena obra-prima. Só que Salles é ultraperfeccionista e, no dia seguinte, já estava enviando outra versão, não vou dizer que melhor ainda, mas também muito boa. O post virou babação de ovo, chapa branca, reconheço, mas a admiração é sincera, por mais que Salles me tenha decepcionado com sua incursão pelo cinema de gênero, com ‘Dark Water’, mas eu acho que entendo, na figura daquela mãe, os motivos profundos que talvez o tenham levado a fazer o filme. Amanhã, na suíte da Master Class, Salles vai aqpresentar ‘Linha de Passe’ para estudantes de cinema, na Universidade Berkeley.

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