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Luiz Carlos Merten

05 Maio 2008 | 17h24

Estas m… de máquinas resolveram infernizar minha vida. Ontem tentei postar duas vezes no Recife, no fim da noite, para comentar a premiação, e em ambas, na hora de salvar, simplesmente os meus textos desapareciam. Estou agora escrevendo no Word para depois colar no blog, porque já tentei acrescentar um post sobre Dean Martin, mas ele também sumiu. Caraca! Por que Dean Martin? Saí às 6h30 da manhã do Recife e consegui chegar na redação do ‘Estado’ passado do meio-dia, cheio de textos para produzir – sobre o encerramento do CinePE, sobre o ciclo dedicado a Dean Martin que começa amanhã no Centro Cultural São Paulo e otras cositas más. Não sei de vocês, mas eu tenho um imenso carinho pelo Dean Martin, que faz parte do meu imaginário com dois grandes papéis em filmes que adoro. Como esquecê-lo enfiando a mão naquela escarradeira para catar a moeda que vai pagar seu drink em ‘Onde Começa o Inferno’ (Rio Bravo), de Howard Hawks, sob o olhar de censura de John Wayne, que vê naquilo a extrema degradação do antigo companheiro de armas, agora transformado num bêbado sem dignidade? Como esquecê-lo na cena do cemitério. no desfecho de ‘Deus Sabe Quanto Amei’ (Some Came Running), de Vincente Minelli? O tempo todo o personagem de Dean Martin usa aquele chapelão de caubói e aí… Jean Tulard diz que Minnelli fez grandes musicais (‘O Pirata’, ‘Sinfonia de Paris’, ‘A Roda da Fortuna’, ‘Gigi’) e grandes dramas (‘Assim Estava Escrito’, sobre os bastidores de Hollywood; ‘Sede de Viver’, sobre a arte e a loucura de Van Gogh, e também sua amizade com Paul Gauguin), mas ‘Deus Sabe Quanto Amei’ marca a verdadeira apoteose do seu estilo, e é verdade. Em 1995, Dean Martin morreu em maio, durante o Festival de Cannes e eu não me lembro se foi o ano em que Martin Scorsese presidia o júri, mas ele estava lá e emitiu um comunicado dizendo que a trajetória de Dean Martin – a quem chamava de ‘Dino’ – era exemplar como retrato das dificuldades de integração de um descendente de italianos na cultura norte-americano. Scorsese queria fazer um filme sobre Dean Martin – depois de usar seu antigo parceiro, Jerry Lewis, num papel dramático em ‘O Rei da Comédia’ –, mas desistiu do projeto para fazer outra cinebiografia, a de Howard Hughes, em ‘O Aviador’. Sei que vocês não concordam comigo, mas acho ‘O Aviador’ o cúmulo da mistificação e um dos piores (com ‘Gangues de Nova York’) filmes de Scorsese. Sempre fantasiei que teria sido melhor se ele tivesse feito ‘Dino’. Afinal, o tema era mais próximo de seu coração ítalo-americano. Vou voltar ao ciclo sobre Dean Martin, mas já fiquem de olho. Amanhã, no CCSP. Só lamento que do programa não conste justamente a obra-prima do Minnelli, mas tem outros westerns – ‘Os Filhos de Katie Elder’, de Henry Hathaway, de novo com John Wayne, e o paródico ‘Quatro Heróis do Texas’, de Robert Aldrich, em que Sinatra e ele contracenam com Ursula Andress, Anita Ekberg (peituda como Fellini gostava) e os Três Patetas! O ciclo também traz ‘Onze Homens e Um Segredo’, o antigo, de Lewis Milestone, de 1960, com a Rat Pack (Sinatra, Martin, Sammy Davis Jr., Peter Lawford etc) que George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon e Don Cheaddle tentam agora reinventar, na série dirigida por Steven Soderbergh. Assunto para falar sobre Dean Martin é que não vai faltar, realmente.