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Cultura » Didi no ‘Japão’

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Luiz Carlos Merten

13 Abril 2008 | 12h44

Valente – é ‘o’ Valente? – comenta o post sobre o novo filme de Renato Aragão e diz que tinha projeto unindo Jackie Chan e o trapalhão. Que barato! Mas se for o Valente que estou pensando espero que isso não signifique que tu tenhas desistido de ‘Vórtex’, um projeto que acho muito interessante e no qual confio, mas que nunca conseguiu emplacar em concursos de roteiros justamente por suas características de obra experimental, em construção (o que não impede que ‘Vórtex’ possa ter apelo popular). Achei muito legal a visita ao set do novo filme do Renato, que recebe depois de amanhã uma homenagem no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Se a gente fosse comparar o GPCB ao Oscar, seria um Oscar honorário. É o 47º filme de Renato Aragão e ele está – como direi? – muito emocionado, excitado (apreensivo?) com este reconhecimento de seus pares na Academia do Cinema Brasileiro. Quero aproveitar e fazer uma retificação. Havia dito que a filmagem de ontem era em Itapecirica da Serra, mas não, foi em Taboão, no chamado ‘vale dos templos’, uma região isolada em que foram construídos templos budistas. Que lugar bacana! O filme poderá até não ficar bom – falo bom para os críticos -, mas acho que Renato Aragão, artes marciais, budismo, tudo isso é muito curioso para que vocês não fiquem com vontade de conferir as imagens do tal templo (a história passa-se em parte no Japão). Quero acrescentar que acho Marco Figueiredo, que faz seu terceiro filme consecutivo com Didi, um caso único no cinema mundial. Marco é um cineasta que, nas horas vagas, é cururgião plástico, e dos bons! Ele sonha cada vez mais em ‘ficar’ só cineasta- e desenvolver outros projetos, além dos de Renato Aragão -, mas tem clientes, na clínica, que o forçam a continuar operando. Brinco com o Marco dizendo que ele entrou no cinema para fazer uma ‘plástica’ nos filmes de Didi. Este aqui tem cenas de lutas, encenadas a sério, e outras em que a luta vira pastelão. Em ambos os casos, existem muitas cenas de levitação, filmadas com cabos, que depois precisam ser apagados no computador. Tudo isso está sendo feito rapidamente, para estrear em junho. Pouco tempo, pouco dinheiro. É mole? Este tipo de cinema não é meu favorito, e o Marco, o Renato e o produtor Diler Trindade sabem disso, mas que eu respeito o esforço deles e quero mais é que façam um milhão de espectadores, ah, isso é verdade. Ainda não consegui pensar como Paulo Emílio, que dizia que o pior filme nacional vale mais, para a gente, do que o melhor estrangeiro – ‘Jacobina’ e ‘Cinderela Baiana’ valerem mais do que, sei lá, ‘Em Busca da Vida’ ou ‘Gritos e Sussurros’? Nunca! -, mas meu lema é torcer pelo, não contra, o cinema brasileiro