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Luiz Carlos Merten

29 Outubro 2011 | 08h19

Daqui a pouco começa a coletiva da Mostra. Vamos saber quais filmes foram selecionados pelo público para concorrer aoi troféu Bandeira Paulista. Não arrisco nenhuma previsão, até porque não vi a relação de filmes concorrentes. Aliás, não é por descaso, mas nunca olhei a lista de todos os filmes apresentados na 35ª Mostra. Folheei o catálogo e tirei dali, de um título, uma sinopse, a relação de filmes que queria ver. Maria do Rosário Caetano me pedira uma indicação de filme latino. Somente ontem, ou anteontem, vi que ‘Las Acacias’ integra a seleção. Amei o filme do argentino Pablo Giorgelli e fiz com ele uma bela entrevista, em Cannes. Pablo chega hoje a São Paulo para acompanhar as exibições de seu filme, que começam hoje. Não percam. Um caminhoneiro dá carona a uma mulher que carrega um bebê. Falam o mínimo. O bebê chora sem parar. Como, com elementos aparentemente tão reduzidos, Pablo Giorgelli conseguiu fazer um filme tão bom? Os mistérios do cinema são infindáveis. Estou me programando para ver à tarde, na Sala Cinemateca, o ‘Novecento’ de Bernardo Bertolucci. Mais de quatro horas de duração, quase cinco. Não lembnro muita coisa do épico que Bertolucci conseguiu realizar em pçarte – tenmho certeza – graças ao sucesso de ‘Último Tango em Paris’. O filme com Marlon Brando foi um grande sucesso de público e crítica. Nenhum produtor, nenhum astro diria não ao diretor. E Bertrolucci fez seu filme soibre a história italiana no século 20, sobre os movimentos sociais e políticos, sobre a união dos camponeses com o proletariado, o campo e a cidade, concretizando o espetáculo nacional e popular conceituado por Antonio Gramsci. ‘Novecento’ é de 1976, um ano antes morrera Pier Paolo Pasolini, que antecipara a volta da direita na Itália. Bertolucci, romântico, acreditava na esqiuerda no momento em que elas começar a se esfacelar. Já tinha mais de 30 anos quasndo vi ‘Novecento’. Como e por que o filme ficou tão difuso na minha lembrança. Lembro-me do começo operístico, verdiano, e das cenas de Laura Betti e Donald Sutherlanbd, o casal de fascxistas, perseguido no campo, no desfecho. Robert De Niro, o pastrão; Gerrard Depardieu, o campônio. E as mulheres – Dominique Sanda e Steffania Sandrelli, que Bertolucci já dirigira em ‘O Conformista’. Quem foi que me disse que Dominique radicou-se na Argentina, seduzida por não sei que filósofo do Prata. Faz tanto tempo que entrevistei Steffania. Foi em Cannes (no ano de ‘Beleza Roubada’?). O papel era pequeno, mas me permitiu falar com ela sobre Pietro Germi, ‘Divórcio à Italiana’ e ‘Seduzida e Abandonada’. Como ela me disse – ‘Non si può recusare un ruolo a Bernardo.’ espero, realmente, que consdiga (re)ver o ‘1900’ de Bertolucci.

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