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Luiz Carlos Merten

03 Julho 2008 | 19h10

PARIS – Decididamente, vou ter de recuperar todos estes posts ao chegar a São Paulo, o que poderá ser uma experiência curiosa – para vocês e para mim. Já pensaram receber uns 15 posts que estão por aqui, encalhados? É o que poderá ocorrer, e não me digam que eu não manjo nada de técnica – o que é verdade –, mas nem o cara da lan house aqui perto conseguiu me conectar à rede sem fio. Já passa da meia-noite, o que significa que, em horário daqui, este post, se estivesse sendo atualizado, já teria a data de quarta-feira (mas no Brasil ainda é terça!). Fui ver ‘O Diário dos Mortos’, de George Romero, que não é só mais um capítulo da saga (interminável) do diretor, perdão, do autor sobre mortos-vivos, que ele iniciou em 1968, um ano emblemático, e desde então tem retornado a ela para fazer comentários que são essencialmente políticos sobre a sociedade dos EUA. É interessante que, em seu novo filme, Romero conte a história de um grupo que está fazendo um filme de terror e termina envolvido no horror da realidade, que é outra coisa, e muito pior. Peter Bogdanovich, sem mortos-vivos – com vampiros -, já fez este filme justamente em 1968/69, como ‘Na Mira da Morte’ (Targets), com Boris Karloff. A diferença é que Romero agora, após ‘A Bruxa de Blair’ e ‘Redacted’, está querendo fazer um comentário sobre o colapso das informações, não num mundo onde elas são manipuladas (como ocorre no filme de Brian De Paloma), mas onde os meios oficiais acompanham o colapso da civilização e só resta a rede, em si mesma – blogs como este, só que no filme eles veiculam sem parar as informações sobre mortos-vivos. Não sei de vocês, mas acho Romero um caso interessante, embora não consiga curtir muito o horror de seu cinema. Mesmo me arriscando a levar pedrada, acho aquele filme de mortos-vivos do Zack Snyder bem mais acabado, como cinema, e gosto daquela idéia do shopping center, centro de consumo, como o lugar invadido pelos zumbis e que os raros sobreviventes tentam transformar em fortaleza de resistência. Vou dormir. Vocês, de qualquer maneira, não lerão este post hoje, mas na quinta, ou sexta. Até lá!

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