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Deus salve… Caio Blat?

Luiz Carlos Merten

22 Março 2018 | 09h45

Dib Carneiro me contou que ‘deu’ na coluna da Keyla Jimenez, nossa ex-colega do Estado, que tem atualmente o próprio blog de TV. A Globo não está nada contente com o investimento em Deus Salve o Rei. A audiência está baixa e o diretor da dramaturgia da casa, o grande Sílvio de Abreu, está ameaçando intervir. Ou ele cola alguém ao autor, a novela ganha colorido, subtramas, etc, ou encurta e termina logo. Eu, se votante fosse, optaria pelo B. Rápido, rápído, vamos terminando com isso. Pois gosto da novela como está, e já está me batendo nos nervos essa coisa de estar em casa em determinado horário, ou ter de pedir ao Dib para gravar. Não sei o que a Globo pensava ao validar o projeto. Fazer o seu Game of Thrones? Talvez. Sob muitos aspectos, posso ser um troglodita, mas tenho meu lado romântico e adoro histórias de nobres cavaleiros. Fazem parte da minha formação. Cresci lendo os volmes da Coleção Terramarear, os épicos da Metro. Gosto da nobreza de caráter de Afonso, e Rômulo Estrela tem o physique du rôle para o papel. Divirto-me com os trabalhos de composição de Johnny Mascaro e Tatá Werneck, mas acho um porre a mocinha (Marina Ruy Barbosa) e o ex-dela, Virgílio. Imagino que a princesa má, Catarina, para funcionar, teria de ter uma atriz capaz de interpretar no registro da paródia, como Teresa Raquel na velha Que Rei Sou Eu?, de Cassiano Gabus Mendes. Enfim, estou dividido. Como Sílvio de Abreu – segundo a Keyla – acho que a novela precisa dinamizar-se, e a via para isso seria o humor, mas temo que, ao enveredar por essea lado, se perca a humanidade de certas figuras de que gosto. Enfim, estou aguardando a minha alforria. Termina logo, porra, antes que eu desista. Mas chego agora ao que intewressa. No início, estranhei muito. Meu querido Caio Blat, a quem admiro tanto, tem um dos primeiros nomes do elenco. Até bem pouco tempo, aparecia mudo e saía calado, quando aparecia. No atual estágio da trama, como ‘consciência’ do rei (Mascaro), manipulado pela ‘noiva’, desembestou de falar, mas o personagem ainda não disse a que veio. Imagino que, para ter um ator como Caio, o autor lhe reserve, na trama original, uma importância que ainda não tem. Caio pelo menos começou a falar. E Paschoal da Conceição, naquela taverna? É de cortar os pulsos. Atores tão bons reduzidos à insignificância de personagens nulos. Para fechar, volto ao Caio. Ele foi melhor ator no Shell, onde Bia Lessa fez o rapa com o seu Grande Sertão. Não sei quem vota no prêmio nem quero me indispor com ninguém, mas Bia foi premiada por destruir a prosódia mineira e ‘cariocar’ as veredas de Guimarães Rosa. Parabéns, srs. jurados. Quem sabe não a chamam (a Globo) para salvar Deus Salve o Rei? Ela tira a roupa de alguns bofes, reencontra seu ator, Caio. Pode dar samba. Taí uma ideia. Quanto à prosódia mineira, está chegando Arábia, de Affonso Uchoa e João Dumans. Vocês terão uma ideia do que Grande Seretrão poderioa ser, e não é.