Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Desordem mental, déficit de atenção, fragmentação

Cultura

Luiz Carlos Merten

06 Janeiro 2008 | 13h53

Vou voltar rapidinho ao livro ‘Cinema Now’. Estou na redação do estado, vim fazer os fiklmes na Tv de segunda e aproveitei para redigir o texto sobre o ciclo comemorativo dos 80 anos de Kubrick, que começa terça no Centro Cultural São Paulo (mas a data, propriamente dita, é em julho). Aliás, briguei um pouco com o post, porque tentei postar duas ou três vezes o texto sobre ‘O Rweverso da Fortuna’ e a máquina não aceitava… Mas, enfim, ‘Cinema Now’ é trilingüe – em italiano, espanhol e português. Havia citafdo de memória as frases do Alejandro González-Iñárritu e do Hou Hsiao Hsien e agora vou transcrevê-las literalmente, porque achei bem interessantes. Diz o diretor mexicano – “Não me importa a ordem cronológica dos fatos e sim, o impacto emocional que provocam, porque uma vez dito e visto tudo, o cinema não é mais do que outra experiência emocional fragmentada. Padeço de uma profunda desordem mental, de um déficit de atenção. Meus filmes – e aqui entro eu; ele está falando de ‘Amores Brutos’, ’21 Gramas’ e ‘Babel’ – não são só extensões minhas como são também testemunhos de minhas virtudes, misérias e limitações.” A frase do chinês Hsiao Hsien é a seguinte – “Nossas vidas são cheias de recordações fragmentadas. Não podemos lhes dar um nome, uma data, nem classificá-las, mass elas permanecem conosco, nos acompanham e não podemos nos livrar delas.” Quem viu ‘Flowers of Shangai’, ‘Millenium Mambo’, ‘Three Times’ e ‘Voyage en Ballon’, sabe do que estou falando. Hou é daqueles diretores que nem a Mostra conseguiu impor no Brasil. Por que será? Ele é tão maravilhoso…