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Luiz Carlos Merten

20 Outubro 2007 | 13h12

Acabo de ver ‘Desejo e Reparação’, que Joe Wright adaptou do romance de Ian McEwan, editado no Brasil somente como ‘Reparação’. Foi numa cabine da Mostra e o Bira, meu colega Ubiratan, também estava lá. Bira leu o livro e achou mais ou menos. Eu não li o livro e fiquei surtado. Não sei se resiste a uma segunda ou terceira visão,porque é excessivo, exaltado, hiper-romântico e essas coisas, passado o primeiro impacto, tendem a diluir-se (mas nem sempre, o que espero que seja o caso). O filme conta a história de como essa garota de 13 anos, na Inglaterra dos anos 30, interpreta mal o que vê – e ela possui uma imaginação muito forte -, contribuindo para a condenação de um cara, num caso de estupro. A coisa é muito mais complexa, pois ela sente uma paixonite infanto-juvenil por ele e o jovem está apaixonado por sua irmã, que corresponde. O filme, imagino que o livro também, é sobre a sociedade de classes inglesa. Mas é mais do que isso, e mais do que o livro, o que posso dizer sem tê-lo lido, simplesmente porque há uma discussão sobre arte, vida e literatura, presente em ambos, e outra sobre o cinema, que só faz sentido na linguagem de um filme. Tudo o que estou dizendo pode parecer muito abstrato, e é, mas não quero tirar a graça de vocês, que ainda não viram ‘Desejo e Reparação’. Afinal, eu vivo sendo acusdado de contar os filmes… Entrei na sala do Arteplex sem saber do que se tratava, nem mesmo que era uma adaptação do McEwan. Fui descobrindo aos poucos, e ficando chapado. O que é maior, a arte ou a vida? A arte, seja o cinema ou literatura, pode reparar os infortúnios da realidade? De alguma forma, ‘Desejo e Reparação’ prosseguiu, para mim, no meu foro íntimo, com a discussão de temas que também estão em ‘O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford’ e ‘Sombras de Goya’, que foram os filmes que mais me impressionaram no Festival do Rio. Não sei quando ‘Desejo e Reparação’ passa. Procurem no site da Mostra – www.mostra.org – ou no Guia do ‘Estado’, cujas sinopses de filmes foram escritas pelo meu amigo Alessandro Giannini. Duas coisinhas mais. 1) O que é essa Keyra Knightley? Ela só se aprimora, como mulher e atriz. Sou fã de carteirinha. 2) Romola Garai, que faz a garota mais velha, aos 18 anos, é a atriz de ‘Angel’, de François Ozon, que está na Mostra (e também discute vida e literatura).