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Luiz Carlos Merten

17 Fevereiro 2009 | 14h32

Ontem pela amanhã corri ao Beaubourg, o Centro Georges Pompidou, em Paris, porque queria ver a exposição – genial – do arquiteto e designer Ron Arad. Aproveitei e fui à livraria do Centro, a Flammarion, que sempre tem ofertas muito interessantes de livros sobre cinema. É impressionante, mas cada vez se editam mais livros sobre David Lynch, autor por quem não consigo me interessar, não adianta. Com exceção de alguns de seus filmes antigos – ‘Eraserhead’, ‘O Homem Elefante’ e ‘Veludo Azul’ -, os recentes não me motivam. Sorry. Maior do que o número de livros sobre Lynch no Beaubourg, acho que somente os de Werner Herzog, cuja obra cinematográfica é tema de um grande ciclo neste mês de fevereiro (seguindo-se à exposição que o Centro Georges Pompidou dedicou ao multiartista no fim do ano). Enfim, estava lá folheando aqueles 1001 álbuns sobre grandes diretores e topei com um chamado ‘Il Était Une Fois…’, sobre o spaghetti western. Um dos capítulos do livro chama-se ‘Éxotiques’ e, logicamente, lista os faroestes macarrônicos exóticos para os padrões do próprio gênero. O texto de apresentação é de Franco Nero e me veio a imagem de abertura de ‘Django’, de Sergio Corbucci, em que ele entra na cidade arrastando pelo barro os caixões em que pretende enterrar os pistoleiros que vai matar – querem maior exotismo? A rubrica ‘Exóticos’ inclui um western pornográfico, ‘Rocco e Calamity’, no qual Rocco Siffredi cruza (literalmente…) com Calamity Jane, sob a direção de Joe D’Amato, que o autor do livro, ou autores, não lembro, trata(m) com toda seriedade, como se fosse um grande transgressor. Mais curioso, descobri que ‘O Cangaceiro’, de Lima Barreto, foi refilmado na Itália, em 1969, com esse título. Tomás Milián, um ator cubano que teve sua fase de trabalhar com Mauro Bolognini (‘A Longa Noite de Loucuras’/La Notte Brava) e Luchino Visconti (‘O Trabalho’, episódio de ‘Boccaccio 70’), faz o personagem título e o roteiro é assinado por Bernardino Zapponi, colaborador habitual de Fellini nos anos 70. E eu que pensava que o único remake do clássico de Lima Barreto era o filme homônimo de Anibal Massaini? Que nada, os italianos chegaram primeiro…