Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Dercy, 101 anos

Cultura

Luiz Carlos Merten

20 Julho 2008 | 06h23

WROCLAW – Desci no business center do hotel, antes de ir para uma sessaoh do festival. Encontrei Joseh Miguel Wiznik, que abriu o terminal e me disse – morreu Dercy Gonalves. Que coisa! dercy foi hom,enageada hah duas semanas, se tanto, no Festival de Paulinia. Estava bem – enfim para os seus 101 anos. Lucida, desabocada como sempre. Duvido muito que alguem da minha geracaoh naoh tenha sido marcada pela presenca de Dercy nas chanchadas, embora `Uma Certa Lucrecia` e `Absolutamente Certo` possuam elementos do genero, mas nmaoh sejam chanchadas puras. E a verdade, tenho de admitir, eh que sempre me diverti mais com Violeta Ferraz, cujo grito de guerra `O petroleo eh nosso`, ateh hoje ressoa no meu imaginario, tal como eh proferido no desfecho do filme de Watson Macedo (espero que seja mesmo dele e naoh do Joseh Carlos Burle, para naoh cometer injustica). Mas Dercy foi uma figura. Enfrentou, e venceu, o preconceito que fazia com que artistas tivessem de usar carteirinhas sanitarias de prostitutas no comeco da carreira dela. Nunca ninguem disse tanto palavraoh na historia do Brasil, nem Leila Diniz, e Decry era adorada por uim p[ublico familiar que naoh queria nem ouvir m…, que dirah pqp, mas ela dizia e as pessoas aceitavam, porque era Dercy. Como Oscarito, Grande Otelo, Mazaropi e Violeta Ferraz, Dercy escrachava nossa identidade, atolando nosso peh no humor chancho. Descansa em paz, Dercy, ou entaoh vai armar barraco no ceu, o que eh mais provavel.

Encontrou algum erro? Entre em contato