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Luiz Carlos Merten

21 Setembro 2006 | 09h55

Embarco daqui a pouco para o Rio, onde hoje à noite começa o festival que deve rolar até dia 5. Quando voltar, mal terei tempo de recobrar o fôlego e já estará começando a Mostra BR de Cinema – Mostra Internacional de Cinema São Paulo. É o sonho dos cinéfilos. Filmes, filmes, filmes… Lá e cá. O Festival do Rio decola com números grandiosos. Serão 380 filmes distribuídos entre 23 mostras, em 37 pontos de exibição. Não serão apenas salas, mas também lonas culturais e os espaços especialmente criados para abrigar sessões que levarão o evento aos pontos mais distantes do Rio.
Quero ver os filmes da Première Brasil, os que mais me atraem, mas em todos os demais programas existem filmes para deixar cinéfilos salivando. A mostra Cinema Que Pensa, idealizada por Eryk Rocha, Paula Gaitán e Juan David Posada, que pretende reeducar o público pela liberação dos sentidos atrofiados pela produção massificada de Hollywood,é outra que me atrai bastante. Já vi os principais filmes garimpados nos Festivais de Berlim e Cannes, mas espero agora poder entrevistar Alejandro González Iñarritu, que vem mostrar Babel. Em Cannes, onde o filme foi premiado, estava no júri da Caméra d’Or, o que não me deixava tempo para entrevistas, só para ver filmes. E vou programado para assistir a momentos fulgurantes das retrospectivas de Visconti e Jodorowski, principalmente Vagas Estrelas da Ursa e El Topo. O título aí de cima remete a uma velha chanchada de José Carlos Burle, de 1956. Depois eu conto virou o bordão de Ibrahim Sued, um famoso colunista social da época, que inspirou a realização do filme (e o personagem do Anselmo Duarte). Ibrahim anunciava as grandes festas e prometia a seus leitores – depois eu conto… Não só espero contar, depois, como também espero encontrar internautas e amigos nessa maratona de sessões que começa hoje. O filme de abertura é Dália Azul, de Brian De Palma, com o complemento do curta Tarantino’s Mind, no qual Selton Mello e Seu Jorge discutem o que se passa na cabeça do autor de Pulp Fiction. Amanhã eu conto.