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Depois do Vendaval

Luiz Carlos Merten

01 Janeiro 2007 | 18h18

Começa daqui a pouco (em cinco minutos!) um dos meus filmes preferidos do John Ford na TV paga. O Telecine Cult exibe Depois do Vendaval, com John Wayne e Maureen O’Hara. Ford é um dos meus ícones e eu amo este que é o mais irlandês de seus grandes filmes. Acho que Innesfree, a cidadezinha em que se passa a história, é uma das mais perfeitas representações da utopia no cinema. E a história é linda. O pugilista que foge de um trauma em seu passado e não quer mais brigar; a mulher que ele ama e que o impulsiona à luta contra o irmão, porque o brutamontes Victor McLaglen não quer pagar o dote a que ela tem direito. Tudo é perfeito e a idéia da briga a socos talvez seja a suprema fantasia de Ford. Os dois caras se arrebentam e depois, como cavalheiros, comemoram no pub. Anos mais tarde, em outra fantasia, O Aventureiro do Pacífico, Ford retomou a idéia desta simplificação ‘viril’ da violência do mundo. O paraíso de Aventureiro é nos Mares do Sul. Wayne e Lee Marvin vivem brigando e numa cena também se enfrentam a socos, o que leva Dorothy Lamour (era ela, não?) a dar a cada um deles, no desfecho, um carrinho de brinquedo. Acho aquilo o máximo. O meu lado guri se sente gratificado. Chega de conversa. Corram ao TCCC. É melhor ver Depois do Vendaval do que tentar expressar em palavras o fascínio de um filme que é perene, tendo recebido o Oscar de direção e o prêmio do júri em Veneza (no ano em que Brinquedo Proibido, de René Clement, ganhou o Leão de Ouro).