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Demorou, mas o Lucas, hein?

Luiz Carlos Merten

10 Janeiro 2016 | 22h22

Não tenho paciência para o tapete vermelho e, assim, prefiro postar enquanto as celebridades chegam para o Globo de Ouro. Demorou, mas George Lucas soltou o verbo falando mal da apropriação que JJ Abrams fez de sua saga Star Wars. O Despertar da Força virou o filme mais rentável da história de Hollywood, à frente até de Avatar, de James Cameron – é a parte boa -, mas eu, embora gostando, confesso que gostei muito mais de Mad Max – Estrada da Fúria e Jurassic World, que foram minhas aventuras favoritas do ano. Faço uma pausa. Havia recebido o livro George Lucas – Skywalking: A Vida do Criador de Star Wars, de Dale Pollock, que saiu no Brasil pela Generale. Estava sobre a minha mesa, mas só ontem, sábado, confesso que tive a curiosidade de folheá-lo. Abri justamente na parte que diz como Lucas, tão cioso de sua criação, surtou ao ser abandonado pela mulher, que o trocou por outro que encontrou no ‘rancho’ do marido. A velha história. Lucas, workaholic, investia tempo e energia nos filmes e derivados. A mulher sinalizou sua insatisfação para amigos do casal. Chegou a propor que fizessem terapia, ele não quis. No limite, ela catou outro, foi se divertir e Lucas ficou chupando dedo – mas com o bilhão de dólares que embolsou vendendo à Disney os direitos de sua guerra nas estrelas. Mark Zuckerberg, Steve Jobs, George Lucas. Esses caras mudaram o mundo, ficaram bilionários – ouvi dizer, que a fortuna do primeiro soma quase 40 bilhões, ou seja, tapa o rombo da Petrobras -, mas o cinema (e seus biógrafos) concordam que levaram/levam vidas de m… A última de Lucas, agora que perdeu seu ‘brinquedinho’, é criticar o clima retrô de Star Wars Episódio VII e dizer que não participou do processo criativo porque os produtores não quiseram saber de suas ideias. Pobre menino rico. Não quero ser cínico, longe de mim, e folheando mais um pouco o livro de Dale Pollock descobri que o jovem Lucas sofreu um acidente de carro ao qual sobreviveu milagrosamente. Vivia à deriva, mau estudante, sem projeto algum, mas sobreviver em tais circunstâncias levou- o buscar um sentido para sua vida. Por mais elementar que seja, como psicanálise, achei interessante – e revelador. Acho que vou ter de parar de folhear e ler o livro inteiro. As revelações sobre o processo criativo de Lucas podem ser bem esclarecedoras, e Pollock não poupa que os rapazes que fundaram a Nova Hollywood, com exceções, terminaram se distanciando num mar de acusações e ciumeira. O que mais gostei, nessa história toda, é que Lucas é muito ciente de sua privacidade. Adotou não sei quantas crianças depois da separação e as mantém longe dos holofotes, bem ao contrário de outros que usam até o pum do bebê para estar na mídia.