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Luiz Carlos Merten

02 Outubro 2011 | 11h20

BELO HORIZONTE -Meus amigos,um post rápido, só para dar notícias. Pela procedência, vocês já viram onde estou. Minas, na mosttra Cine BH. Cheguei na sexta e ando numa roda viva, correndo para ver filmes e asssistir a debates, como ontem à tarde,um muito interessante sobre a relação entre cinema e TV, no quadro do Brasil Cine Mundi. Os representantes da TV Brasil e da Rede Minas ficaram muito presos a questões orçamentárias, mas a representante da ZDF da Alemanha e Joel Pizzini, como diretor que tem parcerias com a TV, foram ótimos, discutindo linguagens. Ele mostrou um trecho do velho ‘Abertura’, que revolucionou a TV, por volta de 1980 (em 1979), com um Glauber que bradava suas trombetas contra a Embrafilme. Tenho visto muitos filmes. O africano ‘Faro’, de Salif Traoré; o italiano ‘Matrimônio à Italiana’, de Vittorio de Sica, na homenagem a Tonino Guerra, e ‘L’Apollonide’, de Bertrand Bonello, apontado para estrear no Brasil dia 21, com o subtítulo de ‘Os Amores da Casa de Tolerância’. Gosto de Bonello, mas nenhum de seus filmes me produziu a perturbação desse,com a personagem da mulher que ri, uma das pensionistas do bordel que, no início,é desfigurada por um cliente. Havia visto metade de ‘L’Apollonide’ em Cannes e, mesmo sabendo que dificilmente teria chance de completá-lo na repescagem- como temia, o filme terminou passando na hora da premiação -, abandonei Hafsia Herzi e suas companheiras de maision close para entrevistar Lars Von Trier. Foi um risco, o filme poderia ter levado a Palma, mas duvidava disso.’L’Apollonide’ não provoca meias reações. É amar ou detestar, eu amei. Já enviei as matérias de amanhã e de terça para o ‘Caderno 2’- viajo pela manhã, na segunda, e temo enfrentar atrasos nos aeroportos. Para a tarde, planejo mais uma maratona de flmes – ‘Post Mortem’, de PabloLarrain; ”O Céu Sobre os Ombros’, de Sérgio Borges; e o novo Monte Hellman – só esse,independentemente de ser bom, já justificaria minha vinda às Gerais, ‘Caminho para o Nada’. E, ah, sim,ontemà noite, antes de ‘L’Apollonide’, diverti-me revendo um trecho de ‘Os Narradores de Javé’, de Eliane Caffé, que passava no Cine Praça(na sextam, também havia visto um pedaço do belo ‘Outras Histórias’, de Pedro Bial.O filme era tão bom, Pedro, por que trocaste o cinema pelo BBB?). De ‘Narradores’, vi a cena em que Gero Camilo, Rui Resende e José Dumont discutem com oas moradores aqual versão da história vão contar. E eles provocam as mulheres. Lili Caffé trabalha com a espontaneidade e a improvisação. Já que estou em Minas – gente, aquilo é bão demais da conta!