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Luiz Carlos Merten

10 Dezembro 2007 | 10h46

‘Galante e Sanguinário’ é o segundo de três westerns de Delmer Daves com Glenn Ford. O primeiro foi ‘O Despertar da Paixão’ (Jubal), uma transposição de ‘Otelo’ para o Velho Oeste, e o terceiro, ‘Como Nasce Um Bravo’ (Cowboy), onde o cara que passava pelo processo descrito no título era o personagem de Jack Lemmon – Glenn Ford era o seu mentor. Delmer Daves era um daqueles diretores que P.F. Gastal adorava espancar em Porto Alegre, nos anos 60, quando ele fazia aqueles melodramas com Troy Donahue. Confesso que gosto, pecado juvenil, de ‘Candelabro Italiano’, com Troy e Suzanne Pleshette, com quem ele se casou (e os dois fizeram um western de Raoul Walsh que eu amo, ‘Um Clarim ao Longe’). De volta a Delmer Daves, ele era chamado de documentarista do western por seu cuidado com os detalhes. Acho que isso tem a ver com a formação de Daves, que estudou direito e chegou ao cinema como assistente de James Cruze em ‘Os Bandeirantes’ (The Covered Wagon), considerado um dos primeiros grandes westerns (e um dos mais realistas, isso lá por 1920). Daves foi roteirista e, mais tarde, ele próprio escreveu seus filmes. O mais famoso, na primeira fase, ainda nos anos 40, foi o noir ‘Prisioneiro do Passado’, adaptado de David Goodis, no qual Humphrey Bogart fazia uma cirurgia plástica e trocava de rosto para fugir dos bandidos que o perseguiam, indo se esconder na casa de Lauren Bacall. Este filme foi lançado em DVD, numa caixa dedicada a Bogart, mas confesso que nunca o revi. Guardo uma lembrança muito antiga, coisa de mais de 30 anos, mas ela é boa. Daves virou diretor de westerns nos anos 50 e a sua parceria com Glenn Ford é sólida, embora não tanto quanto a de outras grandes duplas – Anthony Mann e James Stewart, Budd Boetticher e Randolph Scott, para não falar de John Ford, Howard Hawks e Henry Hathaway com John Wayne. A verdade é que os filmes de Delmer Daves com Glen Ford são bons, mas os outros westerns que ele fez são melhores – ‘Flechas de Fogo’, com James Stewart e Jeff Chandler, pioneiro na defesa do índio; ‘A Última Carroça’, com Richard Widmark, que eu acho que é a obra-prima do diretor, o seu ‘covered wagon’; e ‘A Árvore dos Enforcados’, com Gary Cooper, do qual eu me lembro principalmente pela cegueira de Maria Schell e pelo tema ‘The Hanging Tree’. Estava em Los Angeles, fazendo nem me lembro qual junkett, quando vi que havia estreado 3:10 to Yuma. Fui correndo ver a nova versão, assim como sei que muitos de vocês estão loucos para ver Russell Crowe na pele do galante sanguinário que subverte a vida de Christian Bale. Depois de ver o remake, tudo o que quero é rever o original.

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