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Luiz Carlos Merten

05 Março 2010 | 10h46

Acho que finalmente entendi o espírito da coisa. Depois de acrescentar correndo os três posts que vocês talvez já tenham lido – sobre Rossellini e a Bergman -, fui olhar os comentários e achei que ficaram bem dinâmicos. A ideia é que eu também interfira entre comentários, dialogando diretamente com vocês e não acrescentando novos posts, como antes. Só que fiquei com a sensação de ter perdido o bonde. Não dá mais para acrescentar um comentário a outro comentário que foi feito anteontem. A sequência já foi quebrada. mas acho que vai ser legal, quando nossa nova situação estiver formalizada. De volta ao Oscar, mesmo esperando surpresa – mas será mesmo surpresa? ‘Avatar’ para melhor filme, Kathryn Bigelow melhor diretora? -, acho que as coisas começam a se encaminhar para o óbvio.  Quer dizer que, além de o produtor de ‘Guerra ao Terror’ ter sido defenestrado da festa, o Sacha Baron Cohen também foi censurado? Fui pesquisar não sei o quê para filmes na TV, no Google, e encontrei a notícia de que Sacha foi vetado, entre os apresentadores, porque queria se vestir de na’vi e havia preparado um texto que a academia achou que James Cameron talvez considerasse insultoso. Bastou a dúvida, o ‘talvez’, para Sacha cair fora. Ou seja, tudo o que a academia não quer é incomodar/irritar o rei do mundo. Tenho sido um entusiasmado defensor de ‘Avatar’, o que volta e meia me vale algumas provocações. Ontem fui chamado de infantilóide, mas quando vejo o que essa gente chama de cinema ‘adulto’ acho mais sensato ficar com meus na’vis. A questão – o problema – é que a excessiva deferência da academia por Cameron me levanta mais dúvidas quanto à ‘ética’ da cerimônia, senão da premiação, do que o pedido do produtor por votos para ‘Guerra ao Terror’. Tudo bem que o cara vale, quanto?, US$ 3 bilhões (US$ 5 bilhões, se contarmos ‘Titanic’), mas um pouco de humor não faria mal a ninguém. Me lembro de Otto Preminger, espinafrado por Judith Christ e que endereçou à crítica uma mensagem (com flores) cumprimentando-a ‘neste momento de triunfo profissional’, quando ela ganhou um prêmio justamente por demolir com ‘O Incerto Amanhã’ (Hurry Sundown), de 1967. Esse tipo de autocrítica faz falta. Foi o que me disase Julie Andrews, quando a entrevistei. Casada com Blake Edwards há mais de 40 anos, o que ela aprendeu com o marido, grande diretor de comédias, é que a melhor maneira de viver a vida é não se levando excessivamente a sério.