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Luiz Carlos Merten

27 Setembro 2007 | 14h08

RIO – Só mais uma coisinha. O debate versou sobre novas tecnologias, também. É o tema do momento, convergência de mídias. O cinema deixou de ser cinema e é cada vez mais audiovisual, pois a exibição nas salas é hoje somente uma fatiazinha – a vitrine – do mercado. Tem o DVD, a TV paga e a aberta, a internet, até o celular. Lembrei o Peter Greenaway, dizendo que o cinema está morto porque não dá chance ao espectador de interagir. É curioso, mas acho que, se alguma coisa está matando o cinema, é o audiovisual. Vejam o caso do teatro. Não tem espectador no mundo que faça mudar a roda do destino de Édipo e Hamlet, mas quando eu vou ao teatro – e vou bastante – vejo muita gente, jovens, inclusive, que sabem que não vão ficar interagindo (exceto nas montagens do Oficina e aí a maioria até se retrai). Ocorre que, no teatro, a gente tem de ir lá para curtir o ritual. No caso do cinema, existem todas as outras mídias e suportes, o que faz com que não seja mais necessário, em tese, ir ao cinema para assistir a um filme. Falou-se até no cinema para celular. Muito interessante, reconheço, mas Cacá Diegueas lembrou os condicionamentos – o filme feito com e para celular tem de ser à base de primeiros planos, com poucos diálogos e música. Hein, ouvi direito? A vanguarda, o extremo desenvolvimento tecnológico, está fazendo o cinema andar para trás, voltando à retaguarda do cinema mudo? Mas o que houve, está todo mundo louco? Não creio que o cinema, a sala, com seu cerimonial, terminem. Acho que vai haver, e já está havendo, uma multiplicação de suportes, mas cinema no celular? Tô fora, vocês sabem. Eu nem tenho celular…

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