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Luiz Carlos Merten

27 Dezembro 2009 | 18h09

Olá! Estou de volta a São Paulo – desde ontem. Cheguei à tarde, bem no horário do toró que fechou Congonhas, por inundamento da pista. Tivemos de ficar mais de meia hora sobrevoando Santos à espera de condições de pouso. Barbara, foi ela não?, pegou carona no comentário anterior para dizer que todo ano, no Natal, cumpre um ritual pessoal e assiste a ‘A Felicidade não Se Compra’, de Capra. Legal! Sempre me impressionei muito que Bergman, conforme confessou numa entrevista, por mais de 50 anos também tenha cumprido seu ritual, mas o dele era de Ano Novo. Ele assistia a ‘A Carruagem Fantasma’, de Victor Sjostrom, seu ator – fazia o professor Isak Borg – em ‘Morangos Silvestres’. Desconfio de que Bergman não revisse sempre, e nesta data!, ‘A Carruagem (ou A Carroça) Fantasma’ apenas por ser seu filme favorito, mas também pelo tema da morte embutido no clássico de Sjostrom e o momento de transformação, o Velho Ano cedendo espaço ao Novo, é sempre uma boa ocasião para se reavaliar… Tudo! Mas, enfim, retomando o contato, quero dizer que na manhã de sexta, em pleno dia 25, assisti na TV paga a ‘King Kong’, a versão de Peter Jackson. Entendo perfeitamente todo mundo que não gosta do filme, mas eu não deixo de ter um carinho pelo rei Kong do diretor neozelandês. Acho até que foi um ato de suicídio de Jackson, querer refilmar um cult como o de Ernest Shoedsack e Merian Coopper. ackson não refilmou ‘King Kong’ somente pelos efeitos, para tornar o macaco gigante mais real, usando sua técnica da ‘motion capture’. Seu problema talvez seja a excessiva ambição. O filme é excessivamente pensado. Nada ali é fortuito, tudo obedece a uma segunda ou terceira intenção de leitura. Jackson está querendo refletir sobre tudo, mas principalmente sobre esse diretor (Jack Black, que talvez seja ele) que termina por destruir aquilo que deseja. O terço final é admirável. A luta heroica de Kong na floresta para preservar a bela (Ann/Naomi Watts), a fragilização que o transforma numa presa fácil e o momento, lá no alto do Empire State em que eles trocam o derradeiro olhar, Ann o acaricia, tendo finalmente compreendido a vulnerabilidade (a humanização?) da fera e Kong se solta para a queda e a destruição. Sinceramente, tenho pena – muita! – de quem cria tantas barreiras para si mesmo que não percebe o que há ali de belo, e triste. Ainda pensava nisso quando fui rever, no fim da tarde, ‘Avatar’ em 3D. Acho até que gostei mais do filme de James Cameron e o curioso é como me vieram as imagens de filmes antigos dele. A respiração debaixo d’água de ‘O Segredo do Abismo’ – que inspira um dos momentos fortes de ‘O Símbolo Perdido’, novo best seller de Dan Brown, que acabo de ler – e o meu momento preferido de ‘Titanic’, quando Kate Winslet vai ao encontro de Leonardo DiCaprio na terceira classe e está rolando aquele baile popular. A luta de classes, segundo James Cameron. A ascese, segundo ele. São temas e situações que já vêm de longe. Estou de volta. Me aguardem!

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