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Luiz Carlos Merten

06 Novembro 2008 | 14h24

Estou desde cedo no jornal, mas cheio de matérias para redigir, incluindo minhas entrevistas com Nuri Bilge Ceylan, o grande diretor turco de ‘Climats’ (Climas), que estréia amanhã. Gosto demais do filme, mais até do que de ‘Three Monkeys’, que passou na Mostra deste ano e que também é bom (mas o filme anterior é melhor). Por conta disso, não tive tempo de acrescentar nenhum post até agora. Dei-me conta somente hoje de que falei, falei sobre Jonathan Demme mas não disse que ele começou, como Francis Ford Coppola e Martin Scorsese, apadrinhado por Roger Corman. Se for verdadeira a história que ouvi, Demme escrevia num jornal universitário quando foi apresentado a Corman e o produtor lhe perguntou, à queima-roupa, se ele gostava de filmes de motocicletas. Demme respondeu na lata – ‘Principalmente do seu, ‘The Wild Angels’ (Anjos Selvagens)’, sendo contratado por Corman na hora. Outro ato falho. Falei bastante de Woody Strode e me esqueci de um de seus melhores filmes – ‘Os Profissionais’, de Richard Brooks, no qual ele integra aquele quarteto com Burt Lsancaster, Lee Marvin e Robert Ryan. Grande Woody Strode – Jotabê Medeiros lembrou que foi outro atleta, Jesse Owens, ao ganhar todas aquelas medalhas na Olimpíada de Berlim, desmoralizando o mito do super-homem ariano, que iniciou a caminhada que trouxe agora Barack Obama à Casa Branca. Dois atletas negros que fazem parte da lenda (e um, Strode, foi parar no cinema, trabalhando com alguns dos maiores diretores). Para concluir, ao falar da morte de Michael Crichton disse que prefiro o terceiro ‘Parque dos Dinossauros’ aos dois primeiros, embora eles sejam assinados por Steven Spielberg e o último da série seja de Joe Johnston. Confesso que tenho um carinho por este diretor, que fez filmes cheios de efeitos para falar de família – ‘Querida, Encolhi as Crianças’ e ‘Rocketeer’. Este último realmente me encanta, com seu look de anos 30, como se fosse de verdade uma daquelas aventuras da minha infância, e com o reforço de Timothy Dalton, o pior de todos os 007 – pior do que George Lazenby -, em seu melhor papel como vilão caricato inspirado (como se fosse um negativo) nos heróis de Errol Flynn. Mais até do que os dois primeiros, o terceiro ‘Jurassic Park’ é sobre família, sobre os esforços de William H. Macy e Tea Leoni para encontrar o filho e reconstruir a união. Algumas cenas me pareceram muito bem escritas (e interpretadas). Como Alexander Payne é um dos roteiristas, imagino que exista aí o dedo dele, mas enfim, com toda aquela parafernália, o filme de Joe Johnston me parece mais ‘humano’, enquanto os de Spielberg – os dois – são pura, ou só, adrenalina.