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De preferência…

Luiz Carlos Merten

20 Julho 2010 | 10h25

Ontem, quando acrescentei rapidinho aqueles posts, e o de Gisele Bundchen, não relatei outro signo de ‘globalização’ – ou de sucesso brasileiro – na Hungria. Andei bastante no metrô de Budapeste, até para fugir do calor de quase 40 graus na superfície da cidade. Um calor úmido, que me fazia suar o tempo todo. Me surpreendia a quantidade de propaganda sobre ‘Caminho das Índias’ nos carros do metrô. Olhava as fotos do trio Juliana Paes/Márcio Garcia/Rodrigo Lombardi e tentava decifrar o texto, claro que sem sucesso algum. Nas livrarias, as redes Alexandra e Libris, me surpreendia a popularidade de Paulo Coelho. Já estou acostumado a ver estantes inteiras sobre ele, em diferentes países – e até culturas –, mas no metrô, em Budapeste, eu via as pessoas, muitos jovens, lendo os livros de Paulo Coelho. Havia também uma garota que lia uma volumosa edição de ‘Quo Vadis?’, de Henryk Sienkiewicz, que foi filmado por Mervyn LeRoy em Hollywood, 1951, com Robert Taylor e Deborah Kerr (olhaí, Fábio Negro). Sophia Loren aparece fugazmente nas cenas de multidão (o filme foi feito na Itália). Por que estou, exatamente, acrescentando este post? Pelo que vou dizer agora. Embora tenha andado bastante por Budapeste, fiz um city tour no sábado, último dia, para ter uma ideia mais unitária da cidade. Ao passarmos pela basílica central, em Pest, aquela que tem o rei István, que virou Santo Estevão, no altar principal, a guia informou que o filho de Sophia Loren ali se casou, com uma húngara, e a presença da estrela provocou o surgimento de uma multidão de fãs nunca vista. Ao passarmos, pertinho da basílica, pelo Hotel Marriott, no mesmo lado de Pest, a guia informou que Elizabeth Taylor e Richard Burton foram os destaques da inauguração e depois voltaram à cidade para românticos passeios de barco pelo Danúbio, durante os quais ‘Dick’ presenteava ‘Liz’ com os faiscantes diamantes que selavam suas reconciliações, após as bebedeiras monumentais. Ah, os anos dourados do cinema. ‘Vanity Fair’, numa edição recente, dedicou a capa ao casal, tomando como gancho as cartas de amor escritas por Burton (e que Taylor liberou, décadas mais tarde). ‘Vanity Fair’ lembra que, antes de ‘Brangelina’ (Brad Pitt e Angelina Jolie), houve Burton e Taylor, ou Taylor e Burton, porque em ambos os casos a mulher é sempre a top star da dupla. Ainda sobre cinema, em Budapeste, a cidade tem muita coisa que evoca ‘Elizabeth’, ou melhor dizendo, Sissi. Aos pés da ponte que leva seu nome, também do lado de Pest – em frente ao palácio real, que fica em Buda, do outro lado do Duna/Danúbio – há uma estátua da rainha. Pelo que vi rapidamente, pois passamos de ônibus, sem parar, não era muito parecida com Romy Schneider, que imortalizou a personagem no cinema. Sobre Sissi, e Romy, adoro uma história que Laurence Schiffano conta em sua biografia de Luchino Visconti. O mestre ligou para Romy, que conhecia desde os tempos em que ela namorava seu Rocco, Alain Delon – e Visconti dirigiu os dois no teatro, em Paris, em ‘Pena Que Ela Seja Uma P…’ Visconti queria oferecer um papel a Romy em ‘Ludwig’. Disse que era uma personagem que ela conhecia bem. Romy ironizou – ‘Uma puta?’ Não, uma rainha. É curioso, mas tenho um apetite insaciável por viagens. Gosto de conhecer lugares novos, mas gosto, principalmente, de voltar a lugares que já conheço. Estava voltando de Budapeste, querendo regressar ao Brasil, e ao mesmo tempo já com a nostalgia de querer voltar à Hungria. De preferência, acompanhado.

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