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Luiz Carlos Merten

19 Julho 2009 | 13h48

Meu editor Dib Carneiro Neto surta cada vez que surge a seleção de filmes para estes festivais de cinema que proliferam pelo Brasil. Agora mesmo, o Festival de Gramado, um dos mais prestigiados do País – apesar de percalços pelo caminho -, anunciou sua seleção. ‘La Teta Asustada’ integra a competição latina e ‘Canção de Baal’ está na brasileira. De novo, me perguntou o Dib? Já falamos sobre ‘La Teta’ em Berlim e, depois, quando o filme integrou a programação do recente Festival de Cinema Latino-Americano. Quando estrear, Dib vai chegar à conclusão de que ‘La Teta’ já foi suficientemente contemplado e não vai querer dar mais nada. ‘Baal’ também já passou no Rio, no ano passado, e depois teve sessão no mercado, em Cannes. Encontrei Helena Ignez e Djin Sganzerla, em maio, no palácio do festival e elas estavam bem animadas. O filme é autoral, experimental, tem a cara de uma vertente que está caracterizando a nova curadoria de Gramado (e que já levou à premiação de diretores que antes seriam ignorados no evento.) Estou citando esses dois títulos porque são os mais notórios, de que me lembro agora. A repetição de filmes é realmente um problema, mas há também a questão da força dos festivais. Vários filmes se revezam em várias manifestações. Outros, não vão para nenhuma porque seus autores acham que nada acrescentam aos filmes que fizeram. É complicado. Fábio Negro citou Inácio Araújo para ironizar. Inácio se queixou de que o Festival de Paulínia não exibiu filmes que ficassem com o espectador. Mas depende também de como ficam. ‘Destino’ ficou e até virou o filme inesquecível, às avessas, de muita gente. Eu só me impressiono é com o que não me parece um mero detalhe. Gramado premiou ‘Serras da Desordem’ e o filme de Andrea Tonacci demorou quase dois anos para ser lançado. ‘Olhos Azuis’ ganhou em Paulínia e eu me pergunto se isso vai antecipar o lançamento, que o próprio diretor José Joffily, me anunciou que será em março do ano que vem. Como as coisas nunca são fáceis, às vezes há que agradecer por os filmes serem os mesmos. Foi o que me – ou nos – permitiu ver, no Festival Latino, ‘Meu Mundo em Perigo’, encalhado desde 2007, quando foi premiado em Brasília.