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Luiz Carlos Merten

17 Fevereiro 2011 | 21h56

BERLIM – Havia entrevistado, à tarde, Julie Gavras. Conversamos bastante sobre seu pai e o novo filme dela, Late Bloomers. O primeiro, A Culpa É de Fidel, via o mundo pelos olhos de uma crianca – uma menina reacionária cujos pais sao militantes de esquerda. O novo trata de um casal, Isabella Rossellini e William Hurt, que chega aos 60 anos reagindo ao avanco da terceira idade. O curiooso é que a menina e a personagem de Isabella compartilham o mesmo desejo de se descobrir (e descobrir o mundo). À noite, houve a coletiva do filme, com a participacao da senhora presidente do júri. Havia-me escandalizao ontem com a vulgaridade de Helena Bonham Carter, que criou uma pwersiona excentrica para sobrecviver no competitivo mundo das celebridades. Isabella também ri muito, mas ao contrário de Helena ér classuda a nao mais poder. Ela foi muito aplauidida ao diyer que nao teve problema nenhum para assumir a personagem. Isabella Rossellini toma como desaforo quando lhe diyem que ela nao aparenta a idade que tem. Ela quer ter sua idade, sem desistir de ser bela nem sofisticada. Deplora quem se botoxa para ficar eternamente jovem. Disse que, para uma atriz, é péssimo, pois perde a expressao. Sobre a semelhanca com a mae, Ingrid Bergman,  Isabella diz que, em princípio, nao concorda muito, mas revelou que outro dia, ao trabalhar no projeto de um livro autobiográfico, pegou uma velha foto da mae, de cabelo curto, como sendo ela. O que mais me impressiona é a voz. Fechei os olhos diversas vezes e ouvia Ingrid. Mais um pouco e eu achava que Isabella também ia pedir “Play it again, Sam (pelos velhos tempos)”.