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Luiz Carlos Merten

25 Dezembro 2011 | 22h19

PORTO ALEGRE – Fui ver de novo – pela quarta vez! – ‘Missão Impossível – Protocolo Fantasma’. Uma em Dubai, outra no Rio, a terceira em São Paulo e agora aqui em Porto. E é sempre uma (re)descoberta. Quando o filme é bom, a capacidade de surpreender é inesgotável. O interessante é que há um certo número de filmes estreando neste final de ano e que tratam da morte e da superação. ‘MI-4’ é sobre uma ressurreição, aliás, duas. ‘Compramos Um Zoológico’ é sobre o luto e a superação, ‘Os Descendentes’ é sobre o perdão e como a família segue unida após o duplo trauma – a mãe em coma, o pai descobrindo seu adultério. Foi um tema recorrente no cinema, no ano que se encerra. O garoto fragilizado olhando no fundo dos olhos do monstro espacial para descobrir o olhar da mãe e estabelecer uma comunicação em ‘Super 8’, de JJ Abrams. A avó que sofre de Alzheimer, a desconfiança no neto e a palavra que lhe permite renascer em ‘Poesia’. Existem sempre múltiplas maneiras de avaliar o desempenho do cinema no ano. A bilheteria pode ser uma delas. Selton Mello fez história provando que a terceira via é possível com o 1,4 milhão de espectadores de ‘O Palhaço’. Em números, ‘Crepúsculo – Amanhecer’ fez o maior público do ano, com 6,8 ou 7 milhões de espectadores, mas em reais o maior faturamento foi de ‘Rio’, a animação de Carlos Saldanha. O digital consolidou a revolução iniciada em 2001, com ‘Dançando no Escuro’, de Lars Von Trier. Barateiam-se os custos de produção e aumenta cada vez mais o circuito digitalizado de exibição, mas não sem problemas. Na quarta-feira, na sessão de imprensa de ‘Cavalo de Guerra’, de Steven Spielberg, tivemos de esperar quase uma hora pelo ‘sinal’. Na Mostra, esse tipo de problema foi recorrente. Ainda em termos de tecnologia, o 3-D avança como rolo compressor, mas, de volta a ‘MI-4’, quando perguntei a Brad Bird por que o filme dele era 2-D quando o 3-D dá as cartas em Hollywood, ele respondeu que justamente por isso, para fugir ao padrão. E acrescentou o que você pode verificar – o 2-D nas salas Imax impressiona mais que o 3-D. Tecnologia, faturamento, tudo isso é válido, mas a estética, de preferência política, me parece sempre o critério definitivo. Tantos bons filmes em 2011. Continuo insistindo para que vocês façam suas listas aqui no blog. Estou achando que andam muito preguiçosos.

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