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Luiz Carlos Merten

11 Fevereiro 2011 | 21h56

BERLIM – Comentava hah pouco com meu amigo Jose Carlos Avellar. O Festival de Berlim deste ano encaminha-se, espero, para repetir o do ano passado, que se iniciou muito ruim, patinou durante tres ou quatro dias ateh que, de repente, como por magica, os bons filmes comecaram a aparecer. Tirando os Coen, que um monte de gente deve gostar, fazer o que?, o melhorzinho, ateh agora, foi Margin Calls, de J.C. Chandor, que trata, em chave de ficcao, da crise financeira de 2008. O filme argentino-mexicano The Prize, de Paula Markovitch, pode ateh ganhar alguma coisa. Trata da relacao mae-filha, de  repressao politica, assuntos que podem repercutir na senhora presidente(a) – Isabella Rossellini -, mas o filme eh meio jogo duro. Comeca criticando a repressao do Exercito argentino, depois meio que contemporiza e termina num happy end familiar que parece nao fazer muito sentido. Em defesa da diretora pode-se dizer que essa eh sua historia e foi assim que aconteceu. Pior foi o filme que passou agora aa noite, Yelling To the Sky, de Victoria Mahioney, com Zoe Kravitz, filha de Lenny Kravitz, e mais aquela garota de Precious que, cansada de apanhar no outro filme, agora bate. Yelling me pareceu puro cliche – sobre negritude, exploracao da mulher, drogas. Um pai ausente termina comparecendo para resgatar sua menina – a garota se chama Sweety. Eh o fim e eu espero que o juri nao se deixe seduzir por essa estrutura desconchavada, tomando-a por original ou ousada. Espero que as coisas comecem a ocorrer rapido, ou entao vou desistir da competicao e me concentrar nas mostras paralelas, que sempre oferecem coisas muito bacanas. Amanha, por exemplo, estou nos cascos para ver Mama Africa, de Mika Kaurismaki, com Miriam Makeba, e Devil´s Double, de Lee Tamahori. E ainda haverah a homenagem a Mario Mionicelli, com a exibicao de Il Marchese del Grillo.