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Luiz Carlos Merten

15 Junho 2007 | 13h31

RIO – Estou aqui, nesta cidade maravilhosa, aonde vim para entrevistar, à tarde, Guel Arraes. Está muito/muito quente por aqui, um dia luminoso de verão (e olhem que estamos em junho!). Não sei se terei tempo de postar mais alguma coisa, pelo menos agora, e portanto quero chamar a atenção para as estréias de hoje. Está todo mundo, digo a mídia, celebrando o triunfo do 3. Homem-Aranha, Piratas do Caribe e, agora, Shrek chegaram todos ao terceiro filme de cada série, num crescendo de faturamento que está fazendo os executivos dee Hollywopod rirem à toa. Quando crítico fala de números é porque não tem mais nada para falar. O único que vale, para mim, é o Homem-Aranha. De Piratas do Caribe já não gostava desde o 2. Shrek veio me decepcionansdo – o primeiro ótimo, o segundo legal e o terceiro… Foi-se a novidade do primeiro filme, a transgressão dos contos de fada pelo ogro e sua amada Fiona. A questão, neste terceiro, é se Shrek e Fiona se integram no sistema que reclama a adesão dos dois. Ele quer voltar ao pântano. Vai ter de lidar com a paternidade. Parecem temas muito adultos. Parecem. Vi o filme no domingo passado, na sessão noturna do Arteplex, com legendas. Só marmanjos na platéia. Era o único filme com lotação esgotada, as pessoas morriam de rir e eu ali não achando graça nenhnuma. O chá das heroínas até que tem certa graça – certa. O resto é o resto. Shrek Terceiro entra em quase 800 salas (é isso mesmo?) de todo o País. Cão Sem Dono, de Beto Brant e Renato Ciasca, entra em 3, em São Paulo. Davi contra Golias. Sou mais Davi. Adorei Cão Sem Dono até porque, entre outras coisas, o paulista Beto – não sei de onde é o Ciasca – foi o diretor que melhor entendeu e captou Porto Alegre no cinema. Vou voltar ao filme, com certeza, mas já chamo a atenção para os atores, Júlio Andrade e Tainá Müller. Ela foi melhor atriz no Recife, ele foi esquecido pelo júri. Na entrevista que me deram, por e-mail, no Estado, Beto e Ciasca me disseram que escolhem os atores pensando em quem poderá levar mais longe as cenas e os diálogos escritos no roteiro. É um trabalho de invenção/recriação que os diretores gostam de fazer com os atores (e fizeram em Cão Sem Dono). Júlio e Tainá têm greandes cenas, mas vejam e me digam – a melhor, para mim, é a do Júlio, seu personagem se chama Ciro, com o pai. Tudo é tênue e delicado em Cão Sem Dono. Nada é conclusivo. Acontece um monte de coisas, mas, em termos de cinema hollywoodiano, não acontece nada. Tudo/nada. Cão Sem Dono me tocou demais. Espero que toque vocês também.