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Luiz Carlos Merten

12 Novembro 2007 | 14h17

Estou regressando à redação do Estado depois de assistir a ‘Viagem a Darjeeling’, o novo Wes Anderson, que estréia dia 23. Caso curioso, este Wes Anderson. Saí do cinema com a mesma sensação de que falta alguma coisa, sempre que assisto aos filmes dele. Desde os anos 60, quando a nouvelle vague decretou o fim dos gêneros – mas ele não pararam de voltar, depois –, é no mínimo estranho, reconheço, ficar falando de drama, comédia… Mas nenhum outro diretor me passa, como Anderson, o sentimento de lugar nenhum. Como dramas, seus filmes não têm pathos. Como comédias, pior ainda, não têm graça. Eu, pelo menos, não consigo rir. É verdade que ‘Viagem’ é um pouco menos ruim que ‘A Vida Marinha com Steve Zissou’, mas o filme só começou a fazer um pouco de sentido para mim quando saí da sala, peguei o carro do jornal e estava tocando ‘Coração de Estudante’, de Milton Nascimento, no rádio. Aquela história de juventude e fé, sobre o que fomos, somos e seremos da música do Milton criou, a posteriori, o clima que eu não havia conseguido captar em ‘Viagem a Darjeeling’. Sei que tem gente que adora Wes Anderson – minha amiga Elaine Guerini é uma dessas pessoas –, mas já desisti. Desde ‘Pura Adrenalina’ que tento, mas não dá. Entrego os pontos. Será mais um desses conflitos, como diria o Rodrigo Fonseca, ‘geracionais’? ‘Viagem a Darjeeling’ poderia se chamar ‘Os Excêntricos Teenenbaums 2’, se a família do filme não tivesse outro nome, Whitman. Sorry, gente, mas não deu.

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