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Daqui a pouco…

Luiz Carlos Merten

10 Janeiro 2016 | 21h33

Cá estou na redação do Estado, me preparando para mais uma cobertura do Globo de Ouro. Vamos ficar – Ubiratan Brasil, Guilherme Sobota, Pedro Antunes,João Paulo Carvalho e eu – até duas da manhã, ou mais, para o fechamento.Como escrevi na capa do Caderno 2 deste domingo, foi-se o tempo em que o prêmio da Associação dos Correspondentes de Hollywood podia ser considerado um indicador seguro do prêmio da Academia. Hoje é muito mais importante se ligar no prêmio das guilds. Confesso que coloco no feminino, mas sempre fico em dúvida. É liga, associação, mas os sinônimos em inglês são vários. Club, social club, society, order etc. Enfim – Carol, de Todd Haynes, lidera as indicações de drama no Globo de Ouro (cinco), mas não entrou na lista da Producer’s Guild e, nos últimos oito anos, quem leva o prêmio dos produtores tem levado o Oscar principal. Carol concorre no Globo de Ouro com Mad Max (preferido do público), Spotlight – Verdades Reveladas (que recebeu o prêmio da Associação de Críticos dos EUA), O Regresso e Rom/O Quarto de Jack. Pelo que ouço falar desse último – a história de uma mulher que foi sequestrada e teve um filho no cárcere privado e o menino, Jack, descobre a liberdade -, acho que tem mais a cara do Spirit Award. O curioso é que, agora, escrevendo a sinopse do filme, dei-me conta de que é a história de Deborah Evelyn na novela de João Emanuel Carneiro, A Regra do Jogo. Walter Salles nunca perdoou João Emanuel por haver, segundo ele, plagiado o romance entre motoqueiro e socialite, que seria tema de um filme dele, na novela Cobras e Lagartos. Na época, acho até que me indispus com Waltwer porque minimizei o tal ‘plágio’. Novela é criação aberta, com muitos núcleos e esse, que nem é dos mais originais, era só um deles. Pergunto-me, de qualquer maneira – será que João Emanuel sabia do filme de Lenny Abrahamson? ‘Inspirou-se’ nele? Só não vi o Room, mas acho que a seleção de dramas da Associação dos Correspondentes está boa. Votaria com o público – A Estrada da Fúria, que venceu/vence a votação na internet -, mas duvido que os correspondentes, como a Academia, tenham autonomia – ‘guts’ – para votar num grande filme de ação. É mais provável que dê Spotlight e a liberdade de imprensa é sempre um tema ‘nobre’, a menos que os correspondentes, para marcar posição contra os produtores, escolham o Todd Haynes. Estou muito curioso para ver quem leva o Globo de melhor atriz de drama. Concorrem, por Carol, Cate Blanchett e Rooney Mara. Eu votaria na Rooney, que já levou o prêmio de interpretação de Cannes, dividido não com Cate, mas com a Emmanuelle Bercot de Mon Roi/Meu Rei.