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Luiz Carlos Merten

16 Junho 2009 | 19h26

Fui ontem à noite à pré-estreia de ‘Top Models – Um Conto de Fadas Brasileiro’ no Shopping Iguatemi. Quase fiquei cego de tanto flash, porque o número de fotógrafos era igual, senão maior, do que o de celebridades da moda. Não debocho, mas esse mundinho me parece muito fechado e eu não conhecia ninguém, tirando Alice Braga – estonteante, como sempre – e Heitor Dhalia, mas eles são do cinema, embora muito chics. Alice faz a narração do documentário de Richard Luiz, ligado a Paulo Borges, o Sr. São Paulo Fashion Week. Até onde sei – porque me informaram –, Richard, que pode ser um pseudônimo, faz as projeções de abertura, filma os desfiles e também dirige as propagandas que passam antes do começo dos desfiles. Ou seja – tirem o Richard Luiz de cena e a SPFW vai para o brejo. O filme documenta as 25 modelos que posaram para um calendário da agência Luminosidade no ano passado. Como cinema, não me impressionou muito, mas é bem feito, bem montado, embora o formato não seja muito diferente da produção audiovisual para TV. Feita a ressalva, confesso que o enfoque me interessou bastante, um pouco – muito – por causa das tops, mas também porque Paulo Borges e Richard Luiz sabem do que estão falando. As tops são musas não de poetas, mas que estimulam o público a consumir e esse mercado é voraz, exigindo modelos cada vez mais jovens. Elas entram para esse mundo aos 13, 14 anos e aos 16 já são consideradas ‘velhas’. Confesso que isso me pareceu meio indecente, uma pedofilia light (e consentida), mas é o mercado e pelo visto todo mundo acha perfeitamente natural, já que são moças de fino trato e não existe intercurso, exceto com a câmera, no tipo de comércio que fazem com seu corpo. É mais uma arte. A boa modelo, como uma atriz, deve se colocar a serviço – e inspirar… – o estilista ou o fotógrafo para os quais estão modelando. Muitas histórias são divertidas, mas as tops muitas vezes reclamam da forma dura como são tratadas (e descartadas) e também da falta de adolescência. Contam como amadureceram na marra, mas o sonho da passarela é tão forte entre garotas, principalmente de famílias de baixa renda, quanto o de garotos que sonham virar astros de futebol. Temos aí um fenômeno social, mais do que comportamental. O filme estreia em julho e espero fazer uma boa entrevista com Paulo Borges e Richard Luiz, senão um bom debate, para colocar em discussão esse aspecto que não me parece nada glamouroso do mundo da moda. A SPFW começa amanhã e eu aproveito para falar um pouco, no ‘Caderno 2’ desta quarta-feira, de dois filmes sobre Mademoiselle Chanel, o de Anne Fontaine com Audrey Tautou, ‘Coco avant Chanel’, e o de Jan Kounen com Anna Mouglalis, ‘Coco Chanel & Igor Stravinsky’, adaptado do romance de Chris Greenhalgh, que William Friedkin queria filmar (e chegou a anunciar em Cannes, em 2007). Tudo isso me tomou tempo e hoje ainda havia a cabine de ‘Jean Charles’, que perdi, mas passei na coletiva para dar um olé. Por tudo isso, não havia postado nada. Lembrem-se que, daqui a pouco, na Reserva Cultural, ocorre a sessão de ‘Bem-Vindo’ (Welcome), seguida de debate com o diretor Philippe Lioret, mediado por mim. Até!

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