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Luiz Carlos Merten

08 Fevereiro 2012 | 21h43

BERLIM – Estava com o coracaoh na maoh, com medo de que a greve da Air France anulasse meu voo e ficasse retido em Paris. Cah estou em Berlim, onde comeca amanhah a Berlinale, mas antes disso, hoje, jah assisti a Taoh Forte e taoh Perto. Na saida, Elaine Guerini e eu fomos jantar com uns amigos espanhois. Eles naoh gostaram do Stephen Daldry, que vimos hoje para poder entrevistar amanhah o diretor –  e tambem Max Von Sydow, que tem um papel importante. Eu gostei. O filme eh sobre esse garoto cujo pai morre no ataque aas torres gemeas, no 11 de setembro. Ele amarga a culpa de naoh haver atendido ao chamado do pai, que ligou minutos antes do predio desabar. Para se purgar, ao descobrir uma chave entre os pertences do pai, o menino tenta desesperadamente descobrir a que porta ou cofre a que pertence, como se abrir –  seja lah o que for – fosse resolver o misterio da propria vida. Lembro-me dos coleguinhas que torceram o nariz para Billy Elliot. Daldry, desde entaoh, tem me proporcionado belissimas viagens – O Leitor, O Leitor, O Leitor. Taoh Forte e taoh Perto tem tudo a ver com O Leitor, mais o tema da infancia de Billy. Eh um belo filme no qual a chave, afinal, se assemelha ao McGuffin num thriller de Alfred Hitchcock, mas o objetivo, aqui, naoh eh o suspense. Se a chave abre alguma coisa eh a mente do jovem protagonista e sua relacaoh com a maeh, interpretada por Sandra Bullock, eh emocionante.  Naoh sei de voces, mas os cinco ou dez minutos finais de O Leitor, o encontro de Ralph Fiennes com a personagem de Lena Olin, eh uma das coisas mais fortes e intensas que jah vi. Ele leva aa judia rica as economias de Kate Winslet, com as quais ela pretendia, com certeza, se purgar do mal que causou. Lena despreza a oferta e naoh facilita o desejo de reparacaoh de Fiennes para a mulher que amou, mas aih a lata na qual Kate guardava o dinheiro evoca, como uma madeleine, a memoria afetiva de Lena e ela aceita. Dadry, me perdoem, eh foda. Assim como encontrou outro recorte para falar do nazismo em O Leitor, aqui retoma o 11 de Setembro por um vies nunca visto. E o verbo, a palavra, a comunicacaoh eh sempre a chave de seu cinema. Justamente, o cinema. Eh uma coisa maravilhosa, que naoh cessa de nos surpreender, ou de me surpreender. A verdade eh que a surpresa estah no olhar de quem veh. A arte do cinema, garante  Alexander Kluge, quem faz eh o olhar do espectador. Taoh Forte e tah Perto estreia dia 24, dois dias antes do Oscar. Concorre a melhor filme e a melhor coadjuvante, Max Von Sydow. Amanhah, vou falar com o velhinho. Tantos grandes filmes – de Ingmar Bergman a Bille August. A Berlinale, gente, comeca bem.