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Cultura » Dafoe e sua Giada

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Luiz Carlos Merten

12 Outubro 2011 | 11h31

RIO – Tenho tido estes momentos privilegiados. Entre eles, as entrevistas com Emmanuele Crealese, Jean-Paul Gaultier – é mole ficar falando de ‘Falbalas’, de Jacques Becker, com ele? -, Edgar Ramirez e, ontem pela manhã, Willem Dafoe e sua mulher, Giada Colagrande. Giada nasceu em Pescara, Abruzzo. Era artista visual, famosa por suas instalações, quando tentou o cinema. Conversei com ela em italiano. Ela adorou, todo mundo, hoje em dia, fala só ‘inglese’. Giada dirige ‘A Woman’, um dos três filmes que trouxeram Dafoe ao Festival do Rio. Ele também está em ‘4:44’, de Abel Ferrara, que deveria ter visto pela manhã, e ‘The Hunter’, em que faz o caçador do título, caçando o mítico último tigre da Tamânia. Ouvindo-o falar, me deu a impressão de que pode ser algo como ‘Coração de Caçador’, de Clint Eastwood. Giada é bela sem ser particularmente bonita. Além do filme dela, falamos muito de cinema noir, que Giada ama. ‘A Woman’ passou na mostra Contraponto, em Veneza. O filme viaja na cabeça de uma mulher que enlouquece. A personagem é casada com Dafoe e a primeira mulher dele morreu – há um segredo que só se desvenda no fim. A narrativa começa sombria, em Nova York, e se transfere para Puglia, sob um sol abrasador. Um noir solar, contradição em termos. Dafoe depois me disse que se sente uma vergonha. Embora esteja fazendo filmes há 30 anos, admite que, ao contrário de Giada, não tem cultura cinematográfica. Permanece um homem de teatro. Mas é legal falar com ele sobre seus encontros com Oliver Stone, Martin Scorsese, Sam Raimi, Lars Von Trier. Giada me disse uma coisa que coloquei na matéria de hoje do ‘Caderno 2′. Ela acompanhou o marido no set de “Anticristo’. Diz que nunca viu nada parecido. Lars vive cercado de gente talentosa e que o venera. Ninguém tinha a pretensão de estar fazendo arte, mas Giada me disse que viu ali, em pleno processo, o gênio criando e foi maravilhoso. Eu lhe dou razão, porque amei ‘Anticristo’.