Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Curtas que valem ouro

Cultura

As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Cultura

Curtas que valem ouro

Luiz Carlos Merten

16 Agosto 2007 | 13h36

GRAMADO – Não tenho tido tempo para postar à tarde, porque a programação começa às 2 e engrena sessão de curtas às 5 e, depois, os dois longas da competição principal, às 7 e às 9. Temos saído do Palácio do Festival por volta da meia-noite, para jantar. Para complicar, o wireless não tem funcionado muito bem no hotel, o que está transformando o laptop que trouxe num acessório inútil. Mas, vamos lá, estou adorando a competição de curtas. Depois do simpático Perto de Qualquer Coisa, de Mariana Bastos, e do ótimo A Psicose de Valter, de Eduardo Kishimoto, na terça-feira à tarde, vi ontem o melhor filme deste festival, até agora. Sem me prender a bitolas, nem gêneros, nem formatos, nem nacionalidades, fiquei siderado pelo curta paranaense Satori Uso, de Rodrigo Grota. Sem querer entregar o ouro (e tirar o impacto que tive ao ver o filme sem saber nada), Satori Uso é um falso documentário sobre um poeta que nunca existiu, feito por um cineasta imaginário. Sacaram? O poeta é japonês e vive silencioso, na sombra, como quem deseja se anular (exceto pelos poemas que escreve). Como se conta a história de um personagem desses? Como o cinema, atraído pelo eterno, pode flertrar com o efêmero? Rodrigo Grota, sem querer e, imagino, sem saber, fez a melhor crítica ao filme argentino Nacido y Criado, de Pablo Trapero, que é, para mim, até agora, o melhor das competições de longa, tanto a brasileira quanto a estrangeira (latina). É em torno dessa interrogação que se constrói o filme de Trapero. Gostei demais de Satori Uso. Não importa que seja curta. Lembrem-se de Un Chien Andalou, de Luis Buñuel, de Di, de Glauber Rocha, de Ilha das Flores, de Jorge Furtado. São curtas que fizeram história e valem mais do que muito longa feito pelos próprios autores. Ah, sim, gostei do documentário Condor, de Roberto Mader, sobre a Operação Condor, montada por governos militares do Cone Sul, nos anos 70, para erradicar a oposição aos regimes militares matando, matando e matando. Mas confesso que não tenho tempo agora de postar mais nada. Estou indo para o cinema porque às 14 horas passa O Andarilho, de Cao Guimarães, que vai a Veneza. Não quero perder. Daqui a pouco a gente se fala.