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Crítica da crítica

Luiz Carlos Merten

26 Outubro 2007 | 12h06

Leon Cakoff, com o destempero que lhe é característico, andou batendo boca com a crítica na ‘Folha’, jornal que não leio, logo… Mas me resumiram o assunto nos seguintes termos. Cakoff, criador da Mostra, reclamou porque a crítica do jornal ignorou a visita de Claude Lelouch ao Brasil. Eu o entrevistei, e achei legal. Fui ver ‘Crimes de Autor’, e também achei um Lelouch atraente, até surpreendente. Mas a verdade é que também me pareceu excessivo o elogio de Cakoff a Lelouch, perante a platéia da Faap, no sábado passado. Simplesmente ele se referiu ao cara como ‘mestre’. Êpa, aí já é demais. Mas, enfim, quero só ressaltar o que me parece um paradoxo. Cakoff promoveu este ano um debate sobre a crítica. Tomou como referência para essa discussão o pensamento cinematográfico de Serge Daney, ex-redator-chefe de ‘Cahiers du Cinéma’, que a Mostra quer divulgar no País, tendo para isso editado um livro em parceria com a CosacNaify. Ora, Cahiers trata o cinema de Lelouch aos pontapés, isso quando se digna a dedicar duas ou três linhas aos filmes que ele faz. Até comentei isso com Lelouch, na entrevista, e ele retribuiu esbravejando – educamente, pois é um gentleman – contra a nouvelle vague e a revista, que, segundo o homenageado da Mostra, só fizeram mal ao cinema francês. O paradoxo me parece – se é verdade que Cakoff cobrou maior atenção da crítica paulista a Lelouch e ao seu cinema de grande público – que ele tenha tomado como referência para debater a crítica justamente um crítico de uma publicação que ignora o sujeito que ele está querendo defender. Quer dizer – Cahiers pode ignorar/c…, perdão, defecar no Lelouch. A crítica brasileira, não. Que raio de pensamento mais colonizado é esse?