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Luiz Carlos Merten

04 Julho 2008 | 14h23

Já contei para vocês que na Suécia estava com o gente o Michael Koresky, editorial manager da Criterion Collection (sem Y, como escrevi aqui anteriormente). Fiz para o Michael a mesma pergunta que o Pedro Butcher formulou num comentário aqui no blog – por que a coleção não tem nenhum filme brasileiro no seu acervo de DVDs? Michael disse que Glauber Rocha tem estado em pauta, e até sugeriu que eu fizesse algumas indicações. Prometi pedí-las a vocês aqui no blog. Que filme – ou que filmes, no plural – brasileiros deveriam integrar a Criterium Collection? Jogando conversa fora, comentei com o Michael por que tinha me feito esperar tanto pelo ‘Samurai Rebellion’ (Rebelião), de Masaki Kobayashi, que é um dos filmes cults da minha vida. Aquele duelo final de Toshiro Mifune e Tatsuya Nakadai vale todo o cinema de sabre do Kurosawa, me desculpem. Michael fez duas observações interessantes. Kurosawa, ‘Os Sete Samurais’, é o campeão de vendas da Criterium Collection. E ele disse que tinha uma surpresa para mim: a Criterion deve lançar em seguida a trilogia ‘Guerra e Humanidade’, do Kobayashi – ‘Não Há Maior Amor’, ‘A Caminho da Eternidade’ e ‘A Prece do Soldado’, que contam a odisséia de Nakadai na Manchúria, durante a 2ª Guerra. Manifestei surpresa, porque tenho a trilogia em DVD, importada, e sempre achei que era Criterion. Não é – fui conferir e é uma joint Image Entertainment e Janus Film. Me lembrei muito do Michael porque, em Paris, o evento de cinema japonês anunciado pelo cine Reflets Médicis inclui não apenas a reestréia, em cópia nova, de ‘Harakiri’, outro grande Kobayashi, como a da própria ‘Guerra e Humanidade’. Nesta versão em inglês, a trilogia tem o outro título genérico – ‘The Human Condition’. Que filme! Um dia até me passou pela cabeça sugerir aos amigos da Fundação Japão que programassem a trilogia – tenho os DVDs à mão – como um encontro para a gente discutir este diretor que me apaixona, e que acho que tende a ser negligenciado no cinema japonês, em favor de Kurosawa, Mizoguhi e Ozu. Quero corrigir aqui uma informação – tinha dito que o Ichikawa, de ‘A Harpa da Birmânia’, era comunista. Não era. Ele participou pontualmente de movimentos sociais e protestos contra o Exército, mas sua origem foi outra. Ichikawa era realmente budista, segundo a enciclopédia de Roger Boussinot, tendo chegado ao cinema pela via da animação. Só para fechar este post Criterion – a empresa está lançando um Tati (‘Trafic – As Aventuras de M. Hulot no Tráfego Louco’) e três Ophuls nos meses de julho e setembro. Conversei com Michael Koresky sobre a versão restaurada de ‘Lola Montès’, que vi em Cannes. O filme está nos planos futuros da Criterion, mas não integra essa leva inicial de lançamentos em DVD. Os títulos escolhidos são – ‘Madame De…’, ‘Le Plaisir’ e ‘La Ronde’.