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Creed!

Luiz Carlos Merten

13 Janeiro 2016 | 09h50

Há um momento de Creed em que ‘tio’ Rocky, já transformado em ‘treinador’ de Adonis Johnson – e, portanto, assumindo o papel de Burgess Meredith, no primeiro filme, em relação a ele próprio -, coloca o garoto diante do espelho e lhe diz que sua maior luta será contra o cara que ele vê refletido. Um luta contra demônios internos. Fui ver Creed na pré-estreia, segunda à noite. Gostei demais. Chorei feito um condenado. Justamente na segunda, a Marvel confirmou Ray Coogler como diretor de Pantera Negra. Com menos de 30 anos, que completa em maio, o garoto negro – afrodescendente, sejamos corretos – está chegando lá. Toda a ainda reduzida obra de Coogler trata da negritude. Fruitvale Station – A Última Estação é sobre um garoto negro que tenta andar na linha e é abatido pela polícia como arruaceiro no metrô de São Francisco. O filme baseia-se em fatos, numa história real que ocorreu no réveillon de 2008, acho. Creed é ficção e começou a nascer antes do anterior. O diretor foi levar o roteiro a um cético Stallone. Não um filme da série Rocky, mas Balboa como farol de um garoto que precisa vencer seus demônios e sair da sombra do pai – o lendário Apollo Creed – e encontrar o próprio caminho para merecer o sobrenome Creed. Stallone ganhou na madrugada de segunda o Globo de Ouro de melhor coadjuvante. É maravilhoso, ou está maravilhoso. Sylvester ‘Brando’ Stallone. Ele sempre teve a dificuldade para falar. Rocky está mais velho, doente. Desiste de lutar (pela vida), mas assim como ele ensina coisas ao garoto, Adonis, filho de Apollo, lhe ensina de volta. Stallone deve ter visto e revisto (quem não?) O Poderoso Chefão. Fala com a boca cheia de algodão de Brando, sem precisar do algodão. E Michael B. Jordan, que faz Adonis, é um deus negro. Não tem a ver com beleza. É a mistura de atitude, físico e a dor no olhar. Suas cenas de sexo com Tessa Thompson… Uau! E o filme emula os momentos emblemáticos de Rocky. A corrida pela cidade (Filadélfia), a luta fordiana (a grandeza dos condenados) e o desfecho, na esplanada de onde Rocky sempre viu sua vida. Quanto mais velho fico, mais fordiano me sinto. Um anacronismo, talvez. Rocky/Stallone vai ao cemitério conversar com a mulher, ler o jornal – John Wayne em She Wore a Yellow Ribbon, Legião Invencível, segundo filme da trilogia da Cavalaria, de 1949. É uma coisa que me toca muito, porque, a essa altura da vida, carrego meus mortos e às vezes me surpreendo pensando o que, no cinema, especificamente, Tuio Becker, Jefferson Barros, José Onofre ou Romeu Grimaldi pensariam desse ou daquele filme. Gostei (muito) de Creed. Pantera Negra será sobre um príncipe africano que vira super-herói. Cabra bom, esse Coogler. Torço por ele e espero que Jefferson De também o acrescente à nossa galeria, que já inclui o poderoso Antoine Fuqua.