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Costa-Gavras no Recife

Luiz Carlos Merten

14 Fevereiro 2009 | 10h26

BERLIM – E o festival vai terminando… Agora pela manha, assisti ao último filme da programaçao, ‘Eden a L’Ouest’, de Costa-Gavras. Daqui a pouco vou entrevistar o diretor, mas nao resisto a antecipar o que ele disse na coletiva – que vai ao Brasil, em abril, para apresentar seu filme no quadro do Festival do Recife, intgegrado ao evento França/Brasil. Costa, de origem grega, volta-se para o tema do imigrante. Riccardo Scamarcio, de ‘Meu Irmao É Filho Único’, faz esse homem que deixa seu país, nao identificado, e ruma para Paris. Embora ele nao seja Ulisses, o filme nao deioxa de ser a história de Uma Odisséia, incluindo o breve encontro do herói com Nausicaa, numa praia de nudistas. Como todo clandestino, ele fica vulnerável e é usado e abusado, inclusive sexualmente, por homens e mulheres. Mas o filme nao é sobre a sordidez do mundo, nem desses gays, ciganos e mulheres solitárias que tentam tirar proveito da beleza de Riccardo. Existe uma solidariedade que nasce da culpa – uma culpa que produz constragimento a essas figuras que sao secundárias no drama, mas ajudam a compor um retrato social. No limite, na cena final, o herói fica entre seu sonho – a cidade-luz – e a repressao policial, com um desfecho mágico, porque o diretor, de alguma forma, quis manter acesa a chama da esperança. O próprio Costa define seu filme como uma fábula. Ele provavelmente vai ser criticado, como sempre foi, por sua opção por um cinema fluido, do espetáculo. Na sua grande fase política, os críticos batiam duro na sua opçao pelo thriller e o acusavam de ser reformista, nao revolucionário, porque achavam que ele enfocava o abuso do poder, mas nao a essencia desse poder. A crítica vai continuar, e nao se pode dizer que nao seja justificada, mas ‘Eden a L’Ouest’ tem muitas cenas bem construídas e até emocionantes. Aliás, todos os filmes de Costa-Gavras possuem esses momentos magnificos. Lembro-me especialmente do cavalo branco correndo na noite de Santiago, perseguido pelos militares, em ‘Missing, o Desaparecido’. Toda a irracionalidade da brutal ditadura de Pinochet era metaforizada numa única cena. Nao diria que ‘Eden’ é um grande Costa-Gavras, mas um médio. Vamos ter de volrtar ao assunto, até por conta da próxima viagem do diretor ao Brasil. Aguardem.

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