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Luiz Carlos Merten

03 Junho 2012 | 21h24

Cá estou, de volta. Cheguei hoje de manhã, depois de quase ter perdido o voo em Paris. Em meu último dia, quis abraçar o mundo. Fui ver a exposição de Crumb – De l’Underground à la Génèse -, no Museu de Arte Moderna, corri para o Beaubourg para ver se comprava (comprei) um livro que Jotabê Medeiros queria, Co-Mix, o catálogo da exposição (que já terminou) de Art Spiegelman, e aí fiquei na maior dúvida. O Beaubourg abriga uma exposição de Matisse, quew Neuza Barbosa e Orlando Margarido me recomendaram com entusiasmo, mas eu queria aproveitar as retrospectivas de Cannes para (re)ver Infância Clandestina, no Forum des Images, no Halles, e tentar emendar – a diferença de horário era muito curta – com Después de Lucía, que venceu o prêmio do júri na seção Un Certain Regard, em exibição no Reflets Médicis, no Quartier Latin. A sorte ajudando – consegui um táxi, aleluia, num sábado de sol em Paris -, corri para o Reflets e consegui ver o filme de Michel Franco, deveras perturbador. A vítima é a culpada – uma garota que sofre bullying na escola termina por se moldar à situação e a aceita passivamente (como punição?). Ela vive com o pai, após a separação do casal e ele, um restaurateur, também não está nada bem. Após uma situação particularmente, a garota some e há suspeita de quew morreu no mar. O pai descobre o imbroglio todo, inclusive a violencia contra a filha, e vinga-se. O caso termina em morte e, se a garota não tivesse deixado a situação ir tão longe, isso não teria ocorrido etc. Saí do cinema meio desnorteado, sem bússola, e ainda queria pasdsar por Notre Dame antes de voltar ao hotel (no Arco do Triunfo) para pegar a mala. Cheguei no aeroporto quase no limite, debulhado em suor, mas deu, consegui voltar e aqui estou. Almocei com Lúcia e a amiga dela, Fabí, e fui entrevistar Francisca Gavilán, a Violeta Parra de Andrés Wood, que estreia sexta. Antes, passei no Centro, na Galeria Olido e descobri que dia 19 começa um ciclo sobre o cinema chileno contemporaneo. Somando a essas entrevistas – falo amanhã com Wood -, a que fiz em Cannes com Pablo Larraín, de No, acho que dá para refletir um pouco sobre as mudanças da sociedade chilena e a forma como se refletem no cinema, ou como o cinema as reflete. Havia esquecido meu carregador, mouse, adaptador etc no hotel, em Cannes. Tive de procurar uma loja aberta que vendesse esses artigos para poder postar, como estou fazendo agora. Depois do interregno Cannes/Londres/Paris, a vida volta, digamos, à normalidade. Estou tomando pé de novo com São Paulo. Por mais que goste de agitação,. de viajar, é bom estar em casa. Lúcia saiu e Angel, a buldogue, depois da agitação produzida por minha volta, desmaiou. Está dormindo aos meus pés, e geme alto, mas é um som ao qual estou acostumado. Comprei um monte de livros e revistas. Difícil vai ser arrumar tudo isso. A tendência é deixar tudo jogado. Daqui a pouco não consigo mais me mexer aqui dentro, mas isso é cíclico. Ocorre periodicamente, com a quantidade de livros, DVDs e Blu-Rays que ganho (e compro).