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Luiz Carlos Merten

20 Fevereiro 2009 | 09h33

Dois dias sem dar notícias… Vocês já deviam esatar pensando que eu havia morrido. Minha volta foi complicada. mais de um mês fora, minha filha viajando – só o périplo dos bancos, somado às matérias que tinha para redigir, me deixaram fora do blog. E ontem, à tarde, eu ainda tive de correr e assistir a ‘O Lutador’, que não havia visto, para poder escrever meu texto para a edição de domingo do Oscar, no ‘Caderno 2’. Não é esnobismo da minha parte, m,as nunca consigo me ligar muito no prëmio da academia, talvez porque na maioria das vezes mweu gosto não bata com o dos acadêmicos e eu seja sempre, invariavelmente, derrotado nas minhas indicações. Neste ano, posso estar completamente equivocado, mas resolvi harmonizar minhas preferências com o wquie acho que vai ocorrer. Estou convencido de que ‘O Curioso Caso de Benjamin Button’ vai ser o ‘Gangues de Nova York’ deste ano. Campeão de indicações (13), o filme de David Fincher não leva nada, nem os chamados prêmios técnicos, que irão para o ‘Batman’. Nenhum outro Oscar recente me deu tanto a impressão de vitórias (pré-)anunciadas. ‘Quem Quer Ser Um Milionário’, Danny Boyle, Kate Winslet, Heath Ledger, Penelope Cruz, ‘Valsa com Bashir’. Peneliope pode ser uma aposta muito pessoal, mas ela, afinal, é uma estrela e a academia adora as coadjuvantes de Woody Allen – Dianne Wiest já ganhou duas vezes e Mira Sorvino, uma. A academia adora Almodóvar e o que Woody exigiu de Penelope é que fosse almodovariana, ou ela mesma. ‘Entre les Murs’ é um forte candidato, mas sou mais ‘Valsa com Bashir’, que também poderia ter sido indicado para melhor documentário e ainda bem que não foi, pois essa me parece outra vitória anunciada – ‘Man on Wire’. Nessa história toda, o único Oscar que me parece imprevisivel é o de melhor ator. Todos os indicados são excepcionais, mas eu acho – posso estar errado – que a disputa fica entre Mickey Rourke e Sean Penn. Ambos assumem duas coisas que a academia – e o cinema hollywoodiano em geral – curtem muito. Rourke, a confirmação da ressurreição, a segunda chance (que começou com ‘Sin City’). Penn, a transformação. Não gosto particularmente de ‘O Lutador’ nem de ‘Milk’, que revi em Berlim. Não são maus filmes, mas não consigo experimentar empatia pelos personagens. No limite, são filmes que não conseguem me envolver. Nem o fato de ‘O Lutador’ tratar, entre outras coisas, da relação entre pai e filha, à qual sou muito sensível, conseguiu me motivar. Tem gente que acha Mickey Rourke sublime – eu o achei desagradável, não o lutador, mas o ator. Só uma linha de todo o filme me pareceu interessante, é quando ele diz a Marisa Tomei que vai para o ringue, para o embate final, porque lá dentro se sente a salvo. O mundo, aqui fora, o machuca muito mais – mas também, agindo daquele jeito, o que o cara esperava? Em Berlim, Gus Van Sant disse que Harvey Milk não foi o Martin Luther da luta dos gays, mas um pioneiro na defesa dos seus direitos e assim ele o retratou. Sinceramente, achei o personagem um pouco edulcorado demais – Milk deve ter sido mais ‘maldito’ do que aquilo – e, mesmo correndo o risco de ser apedrejado, achei insuportável toda a parte de Diego Luna como ‘primeira dama histérica’ de Castro. O cinema celebra muito, e às vezes desmistifica, a loira burra. Aqui, temos a bichinha burra, ou chata. Vai, mala. Gus Van Sant não tem meias medidas. Ou ele experimenta demais, em filmes nos quais não consigo entrar (‘Last Days’), ou é tradicional até (quase) a mediocridade (‘Gênio Indomável’ e ‘Encontrando – não Procurando – Forrester’). Confesso que preferiria ver Brad Pitt ou Frank Langella vencerem o Oscar de ator, mas a disputa me parece que fica entre Sean Penn e Mickey Rourke e, entre os dois, não vacilo. Vou com Penn, mesmo que seja para perder.

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